sexta-feira, junho 07, 2013

Marcas Significativas e o significado emocional das marcas




Hoje saiu um artigo no Valor Econômico muito bom. Achei-o tão bom que transcrevi-o aqui abaixo.



A difícil missão de transmitir o significado emocional das marcas

Por Andrew Edgecliffe-Johnson | Financial Times
O marketing pode soar lamentavelmente superficial. A linguagem do "envolvimento emocional", dos "pontos de paixão do consumidor" e dos "principais formadores de opinião" que o setor passou a apreciar tanto é difícil de vender a executivos-sênior eternamente pressionados para gerar retornos concretos de seus investimentos em publicidade.

Não é de estranhar que executivos das multinacionais Procter & Gamble e da Mondelez International tenham se sentido capazes, recentemente, de pôr as agências de publicidade em apuros ao adiar, por 75 dias e 120 dias, respectivamente, os pagamentos que deveriam efetuar.

Os gastos com publicidade vão alcançar US$ 518 bilhões este ano, segundo estimativa da agência ZenithOptimedia, mas, num momento em que a mídia enfrenta mudança acelerada nos campos digital, móvel e social, os proprietários de marcas nunca estiveram mais inseguros dos retornos que esse investimento gera do que atualmente.

Maioria das pessoas não se importaria se 73% das marcas sumissem, segundo estudo do grupo de comunicação Havas
É tentador, em vista disso, ignorar um relatório sobre "marcas significativas" como mais blá-blá-blá. A ideia de que um telefone, um automóvel, um xampu ou um tênis de corrida tenham grande significado soa como a promessa excentricamente grandiosa de um executivo de propaganda para "um produto que vai mudar a sua vida".

Mas o estudo "Meaningful Brands" ("Marcas Significativas") divulgado esta semana pelo braço de compra de espaço na mídia do grupo francês de marketing Havas merece ser tomado mais a sério.

Em primeiro lugar, sua metodologia lhe empresta consistência: a Havas pediu a opinião de 134 mil consumidores de 23 países sobre 700 marcas, e resolveu definir "significado" por 12 indicadores das contribuições das marcas à qualidade de vida dos indivíduos e da sociedade como um todo.

Alguns instrumentos de mensuração foram tomados emprestados dos índices aplicados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e pelo Banco Mundial (Bird) para chegar ao que é conhecido por alguns como felicidade interna bruta para a iniciativa que Umair Haque, diretor de mídia da Havas, chama de primeira tentativa de ligar o bem-estar humano a marcas.

Em segundo lugar, o estudo foca precisamente nos números concretos que os contadores ultraminuciosos das empresas apreciam. As 25 marcas consideradas pelos consumidores "as mais significativas" superaram o desempenho das ações mundiais em 120% nos últimos dez anos.

Essas marcas mais apreciadas não são todas óbvias, quando medidas pelos habituais parâmetros de receita, capitalização de mercado ou valor de marca. A Apple, por exemplo, é a marca mais valiosa do mundo - pelo menos hoje - e encabeça o rol BrandZ da agência WPP das marcas mais valiosas do mundo, mas está em 22º lugar na lista das Marcas Significativas. Outras marcas - Google, Samsung, Microsoft e Sony - dividem os cinco primeiros lugares da lista com a Nestlé, um reflexo, diz a Havas, de como a tecnologia emancipou os consumidores.

A Havas diplomaticamente se recusa a identificar as que ficaram nas últimas colocações, mas a McDonald's, a quarta da lista BrandZ, não figura em seu ranking das 25 mais significativas. A General Motors, uma das maiores anunciantes dos Estados Unidos, também não. Empresas financeiras e de energia têm má classificação e, apesar de seu crescimento mundial, as marcas chinesas não alcançaram o sucesso.

O terceiro ponto que reforça a credibilidade do relatório é seu recado profundamente desconfortável para as agências de publicidade. A maioria das pessoas de todo o mundo, detectou a Havas, não se importaria se 73% de todas as marcas desaparecessem.
Há ainda mais descobertas preocupantes na Europa e nos Estados Unidos, onde os consumidores não se importariam se 92% das marcas desaparecessem.
O desapego não ocorreu da noite para o dia. Mas o que o causou, e como as marcas podem se tornar mais significativas?
Em mercados maduros, a saturação da marca pode ser parte do problema. Não se precisa passar muito tempo num supermercado americano para concluir que há simplesmente um excesso de marcas sem importância.
E, o que é mais importante, um número demasiadamente grande de marcas tem feito promessas que não conseguem cumprir. Pouco menos de um terço dos consumidores acha que a comunicação das marcas é sincera, o que resulta num crescente descrédito.
Após o esforço e o dinheiro gasto em programas de responsabilidade social corporativa, iniciativas de sustentabilidade e no que Michael Porter chama de "valor compartilhado", uma tentativa de casar o progresso econômico com o social, essa descoberta é desanimadora.
De forma mais construtiva, o estudo mostra que os consumidores recompensam marcas que os ouvem; que oferecem boa qualidade; marcas de produtos inovadores a preços justos; que tornam sua vida mais feliz, mais fácil e mais saudável; e que apoiam o meio ambiente, a economia e a comunidade.
"Está despontando um novo modelo da prosperidade humana, centrado em torno da ideia de potencial e bem-estar humanos", diz Haque. É uma afirmação ambiciosa.
Mas não há nada de superficial na correlação entre contribuir para o bem-estar dos consumidores e ser recompensado pelos consumidores e, por sua vez, pelos investidores. Haque quer usar os dados para conceber um novo instrumento de mensuração financeira, a "relação preço sobre bem-estar". Os executivos podem paparicar os lucros, observa ele, mas "não se pode paparicar o significado".

Essa pode até ser uma maneira de a comunidade de marketing convencer executivos de compras extremamente parcimoniosos de que ela ainda pode ser significativa.

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Capitalismo Sustentável

CAPITALISMO SUSTENTÁVEL, um conceito que entendo ser colaborar com a sociedade, e dentro dessa ótica, planejar médio-longo prazo para, por exemplo, evitar crises geradas por lucros irresponsavelmente altos. Que significa também compreender a importância estratégica de investir em responsabilidade social e ambiental (que nada mais é do que adotar uma postura ética e portanto socialmente aceitável e bem quista). Assim como significa relacionar-se a longo prazo com seu público; estabelecer diálogo; e assim, propor soluções inteligentes para melhorar efetivamente a sua vida (individual e coletivamente).

Na propaganda, nos cabe o papel de promover produtos, serviços e ações institucionais (que nem sempre são tão profundas, incríveis ou recebem o devido investimento para que alcancem um potencial realmente relevante). Mas como 'melhor que falar, é fazer', não me parece válido restringir a atuação da propaganda a uma simples 'promessa' de um produto ou à divulgação de uma ação social de marca. Cases como TwelpForce da Best Buy nos ensinou que propaganda também pode ser um serviço que vai além dos produtos de uma marca. Também já aprendemos que iniciativas consistentes de uma  “MARCA CIDADÔ constroem uma imagem bastante apreciada. Lembremos da época do Banco Real com seu posicionamento sustentável, ou da Natura que há anos investe seriamente na geração de emprego para uma rede qualificada de distribuidores. O papel de uma marca na sociedade pode (e creio que deveria) ir muito além da oferta de promessas e produtos. Não se trata de assumir a responsabilidade pelos problemas sociais. Mas trata-se de assumir uma co-responsabilidade como membro dessa sociedade.

quarta-feira, junho 05, 2013

O que a vida me ensinou, por Marcelo Silva, CEO do Magazine Luiza



Um ótimo video inspiracional para o meio da semana. Deu vontade de comprar o livro.

"O fim da vantagem competitiva"

"...companies are learning to leverage more ephemeral things such as deep customer relationships and the ability to design irreplaceable experiences across multiple arenas." 
Ler este post Its Oficial-the End of Competitive Advantage pode causar calafrios para alguns gerentes, mas é importantíssimo lê-lo. Para entender como a incapacidade de proteger seu negócio e ser sustentr uma vantagem tem sido difícil para as empresas.

Porém, Rita, a autora do livro não indica que o termo vantagem competitiva hoje em dia está defasado, mas propõe pensar em novas maneiras para sustentar seu negócio através da inovação contínua e pensar menos em atributos físicos, features e funcionalidades (valores funcionais). Mas mais em intangíveis como experiência e valor (ou valores não-funcionais). Você não defenderá sua vantagem porque ela não será/é mais (tão) sustentável, na maioria das vezes, por isso, focar em aspectos únicos e intrínsecos como experiência (através da inovação) e valores (poderia ser via branding) pode ser um caminho de frear a insustentabilidade. Leia mais neste pos que escrevi Michael Porter ou Seth Godin: quem seguir para criar a sua estratégia?.

Assim, se mudarmos a ótica e dermos um zoom-out, perceberemos que a Reputação, como a Marca em si, se torna o principal ativo de uma empresa. uma vez que a reputação de uma corporação, ou como ela é percebida pelo mercado, está diretamente ligada a três fatores, como li em Os desafios para gerenciar a reputação corporativa:

  1. a experiência pessoal como usuário dos produtos ou serviços, como investidor ou como funcionário
  2. as atitudes da empresa, traduzidas em ações, comportamentos, responsabilidade social, governança corporativa e comunicação
  3. a opinião de terceiros, que exerce influência nas pessoas (mídia tradicional e social, líderes e especialistas, sua rede de contatos/network)
Ou seja, competir hoje em dia está se tornando mais difícil e um olhar mais focado no consumidor e no ser humano, desenhando negócios que foquem no ser humano, não apenas no aspecto de produtos e serviços, mas de estruturas organizacionais que favorecem um aprendizado, e um respeito podem ser respostas sustentáveis à empresas que ainda lidam com a incapacidade de competir e vivem pulando de tendências para tendências.

Foi como eu li estes dias este outro artigo Meet The New Boss And His Take On Your Strategy que dizia: "Customer experience often begins as a way to drive more revenue and results with a transformed business strategy that is purpose-driven and actively includes the customer." onde o Tom Feeney, CEO da Safelite Glass, acredita:
“being customer-driven is all about thinking about your business through your customers’ eyes versus through your internal operational eyes.”

Algumas partes do artigo do Steven Denning

Empresas que se movem baseado no externo e sem direção certa e não se importam tanto com o Core Business: “it’s almost impossible for a company to call it correctly every time. What matters, though, when you have been taken by surprise or something negative occurs, is what you do next. The best firms look candidly at what happened, figure out how to do it better the next time, and move on. It’s a bit like surfing a wave— you might fall off and find yourself embarrassedly paddling back to shore, but great surfers get back on that board. So too with great companies. They move from wave to wave of competitive advantages, trying not to stay with one too long because it will become exhausted, and always looking for the next one."

Este comportamento das empresas gera: "The fundamental problem is that deeply ingrained structures and systems designed to extract maximum value from a competitive advantage become a liability when the environment requires instead the capacity to surf through waves of short-lived opportunities. To compete in these more volatile and uncertain environments, you need to do things differently.”

“There are indeed examples of advantages that can be sustained, even today. Capitalizing on deep customer relationships, making highly complicated machines such as airplanes, running a mine, and selling daily necessities such as food are all situations in which some companies have been able to exploit an advantage for some time. But in more and more sectors, and for more and more businesses, this is not what the world looks like any more. Music, high technology, travel, communication, consumer electronics, the automobile business, and even education are facing situations in which advantages are copied quickly, technology changes, or customers seek other alternatives and things move on. “

“to stop thinking of within-industry competition as the most significant competitive threat… This is a rather dangerous way to think about competition. In more and more markets, we are seeing industries competing with other industries, business models competing with business models even in the same industry, and entirely new categories emerging out of whole cloth.”

“The arena concept also suggests that conventional ideas about what creates a long-lived advantage will change. Product features, new technologies, and the ‘better mousetrap’ sorts of sources of advantage are proving to be less durable than we once thought. Instead, companies are learning to leverage more ephemeral things such as deep customer relationships and the ability to design irreplaceable experiences across multiple arenas. They will be focused on creating capabilities and skills that will be relevant to whatever arenas they happen to find themselves operating in. And they may even be more relaxed about traditional protections and barriers to entry, because competition will devolve around highly intangible and emotional factors.”


fonte: metasdevendas.com.br

segunda-feira, junho 03, 2013

Como criar familiaridade de marca?


Um aspecto importante para estabelecermos uma familiaridade de marca é entender o que é familiaridade e o que é reconhecimento de Marca. 

Familiaridade é a capacidade de uma coisa sentirmos-a perto. De termos consideração e lembrança sobre ela, mesmo que haja um desconhecimento profundo (e técnico) sobre uma pessoa, marca ou produto/serviço. Entendemos assim que familiaridade tem a ver com a capacidade de criar aproximações favoráveis e estratégicas para ambas as partes. E nos sentirmos próximos, porque o outro lado conseguiu realizar bem a tarefa quando precisamos. 

Ou seja, quando Sam Walton determinou que sua estratégia principal de atuação do Walmart, concentrava em crescer em mercado menores, em cidades um pouco menores e aos poucos se aproximar dos grandes centros. Isto, esta estratégia de negócio, sem querer provocou uma familiaridade sobre a marca para aquelas comunidades nas cidades menores. Tão bem, quanto uma marca que determina abrir lojas menores (Carrefour bairro) ou unidades de negócios práticas (Americanas Express). 

Outro aspecto que entendemos como familiaridade é o "falar a nossa língua". Quando uma empresa se aproxima dos consumidores, não apenas falando com consumidores, mas falando dos consumidores em sua comunicação, ou abrindo um SAC, Respondendo a perguntas numa Rede Social de forma carismática e eficiente, ou a partir de ouvidorias executa melhorias em seus produtos/serviços atendendo a pedidos. Isto ajuda a criar familiaridade, quanto reconhecimento e reputação. Cada um em seu grau. 

Já o reconhecimento, é a capacidade de uma empresa em ser reconhecida pela sua categoria, seu produto/serviço e características deste ultimo. Ou seja, se um cliente numa conversa fornece características (ou atributos) de um determinado produto de forma proprietária, isto quer dizer que a marca cresceu em apenas ser conhecida (grau inicial), ela é reconhecida (grau mais profundo), e pode ser considerada numa próxima compra. E se houver atractividade e identificação emocional (outro aspecto mais profundo), poderá ser indicada espontaneamente para outras pessoas.

“is a function of awareness, which relates to consumers’ ability to recognize or recall the brand, and image, which consists of consumers’ perceptions and of associations for the brand.” Kevin Keller

Então, se percebermos, construir um marca não passa apenas por comunicar algo, mesmo que internamente e externamente, mas sim, trafega no universo de decisões de negócio. Uma boa decisão estratégica certamente elevará a familiaridade ou o reconhecimento de uma marca, se esta conseguir entregar o que foi prometido. Assim, gerará confiança.

Reconhecimento de Marca > Confiança na Marca > Lealdade de Marca
percepções + lembrança             imagem + experiência positiva        criação de significado pessoal


Contudo, é importante levar em conta que haver uma familiaridade e reconhecimento não são suficientes, mas um bom caminho andado, para haver consideração e uma possível compra e lucro da empresa. Mas percebem que para construir uma marca, não basta nos atermos a aspectos de design e publicidade?

Ok. Mas o concorrente pode também adotar as mesmas estratégias que nós, como conseguir diferenciação? Investindo em Branding.
 

O Branding aqui se torna uma argumento de diferenciação, porque transforma a marca no principal ativo do negocio (Branding), e não apenas o negocio em si (Brand). Assim, quando identificamos particularidades e singularidade (ou unicidade) da marca, aliada a decisões estratégicas do negocio e uma posição única, construiremos uma marca focada "na marca" e não apenas "no negocio". Percebe que antes você tinha (e construiu) uma marca (dimensões e decisões baseadas no presente e no passado)? Agora você gerenciará a marca (decisões baseadas numa dimensão futura). 

ref.image: kdfrases.com