Neste post, The Truth About Corporate Transformation, escrito por um autor que gosto muito, o Martin Reeves, ele fez uma longa pesquisa pegando dados de 300 empresas ao longo de 20 anos. Empresas de capital aberto dos EUA com US$ 10 bilhões ou mais de valor de mercado entre 2004 e 2016.
Algumas coisas interessantes que vi:
- Quando você tem investidores animados e energizados para recuperar/ajudar/investir numa empresa quando seu Shareholder Return começa a não dar o retorno esperado, só isto fornece um ligeiro melhor desempenho do que, simplesmente cortar custos quando a empresa começa a ir mal.
-Ou seja, se "33% das grandes empresas em ambientes turbulentos sofreram deterioração severa do TSR (total shareholder return), em comparação com 30% das grandes empresas em ambientes estáveis", ter líderes mais colaborativos com sua equipe para analisar e melhorar às mudanças externas, parece ser um caminho para manter o crescimento.
Blog c/ pensamentos sobre: branding, planejamento, marketing, gestão e o dia-dia. ...Significado de abrandar: v.t. Tornar brando. Fig. Suavizar: abrandar mágoas. Serenar. V. i. Tornar-se brando, menos intenso
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segunda-feira, abril 16, 2018
domingo, março 13, 2016
O que os diretores e CEOs fazem quando não conseguem chegar na meta dos acionistas?
"When a company’s stock is overvalued, by definition managers cannot, in the absence of amazingly good luck, reliably and legally deliver performance that will justify its price. The market is setting a bar that firms cannot realistically meet.
What managers do in that situation, Jensen argued, is to make decisions that “will at least appear to generate the market’s expected performance in the short run.” In other words they start to make investments that encourage markets to believe the firm still has value-creating potential, even if they know that those investments will ultimately fall short. By doing this, managers can postpone the day of reckoning until they have left the company and can escape the consequences.
Typically, they adopt one or both of two strategies: Investing in fashionable technologies...Making glamorous acquisitions."
If overvalued equity were a periodic problem associated with bubbles, we would be concerned but not alarmed. But we’re coming to believe that this phenomenon is more commonplace and more serious than we initially suspected, and that it affects many important, capital-consuming sectors in the so-called real economy.
...is precisely when executives feel on top of the world that they need to consider the possibility that their strategies have run out of steam. To avoid the inevitable crash, they need to look for good reasons why their seemingly triumphant approach might fail and figure out fresher and more-realistic narratives for value creation."
Trecho do artigo "The Overvaluation Trap"do Roger L. Martin e Alison Kemper
sexta-feira, agosto 21, 2015
Como empresas brasileiras estão sobrevivendo a crise?
Neste post eu faço uma coletânea de matérias que passaram em telejornais ou estão em revistas especializadas que indicam caminhos que as empresas estão buscando para sobreviver a crise. Analisemos elas.
Ao ler este artigo que saiu na EXAME (!) Negócios contam o que fazem em épocas de vacas magras, coletei algumas estratégias e soluções que são reflexos de nosso período econômico. Que se resumem dentro de uma medida controlada para sobreviver a momentos difícies, alguns dão descontos, ou baixam preços ou investem em produtos novos.
Uma saída mais amena me parece ser o que o Mário Moyses, diretor executivo da Comunicação+ faz:
UM CASO DE SUCESSO
A Flores On Line, citada nesta matéria da Globo News, é um caso de sucesso porque ela enxerga valor no seu produto - flores, e busca justamente investir internamente neste momento como medida para manter a competitividade. Ela investe em processos para criar valor para o consumidor, lapidando sua Proposição de Valor, com foco em logística e conveniência. (Assista a matéria!) Preço? Não foi cogitado reduzir. Porque ele sabe que para se manter competitivo dentro de um mercado que vendem flores, flores (!), seu maior ativo é sua capacidade operacional e capital humano para assim criar marca.
Para oferecer valor passa primeiro por você saber o que o consumidor valoriza. Aqui entra o entendimento de que tarefa o que consumidor está buscando resolver. A Flores On line percebeu que o seu produto tem uma carga emocional e é amparado por valor emocional forte, mas que só isso não bastava para ser competitivo. O cliente quer que o seu problema esteja resolvido (o destinatário receba as flores), mas que esteja bonita, cuidada, vistosa, numa embalagem bonita...(Brand Promise+Value Proposition+Recursos-Chave+Treinamento). Aqui você pode explorar estratégias de redução de preço? Poder pode, dependerá do tipo de mercado que você quer destinar sua força.
Quando você ampara seu produto com uma estratégia que destina recursos para entregar uma promessa forte constantemente, (como foi o caso do executivo da Flores que investiu internamente, em logística), existe maior possibilidade de sucesso, mesmo em momentos de crise.
OUTROS EXEMPLOS QUE SERVEM PARA GRANDES OU PEQUENAS
O brasileiro é alguém que se adapta fácil a ambientes incertos. Nesta reportagem no Jornal da Band (Setor de serviços cresce em junho e vai na contramão da economia) mostrou justamente isso, num acumulado o setor de serviços não cresceu desde o início do ano, mas em Junho cresceu 2,1% e as medidas tomadas por alguns empresários foram:
Vejamos o seguinte. Na matéria da Exame, uma das empresas, a Paleteria Palecolé, havia se preparado antecipadamente para uma possível queda nas vendas e fez caixa anteriormente. Acumulou dinheiro, para poder sustentar - diante da estratégia adotada antecipadamente, de diminuir o valor do produto. Eles poderiam ter tomado uma outra iniciativa? Certamente. Mas independente de ser sazonal ou não, pensei em algumas dicas gerais:
Já para as grandes empresas (só grandes mesmo?) uma das principais estratégias atualmente diante do cenário de crise e de dólar, é vender para fora. Que é justamente o que Gerdau, WEG, Alpargatas, Portobello, Arezzo, Paranapanema, Ferbasa, Tupy, Ambev, Iochpe-Maxion e Marcopolo vem fazendo. Realço aqui algumas passagens nesta matéria do Valor Econômico:
PROCESSO: UM ASPECTO ESQUECIDO
Lendo a Época Negócios deste mês de Agosto, existe uma entrevista excelente(!) com o Armen Ovanessoff, diretor-chefe do Instituto de Alta Performance da Accenture que durante 1 ano fez um estudo "O que as empresas devem fazer para estimular o crescimento da produtividade no Brasil". Apontando coisas muito interessantes, e acredito que esquecidas pelas empresas: Processos e Produtividade. (leia aqui página 106, caso não tenha comprado a revista ainda)
Grifo umas partes:
Aqui Armen fala da importância do investimento em tecnologia independente do tamanho da empresa:
ENTÃO...
Se eu pudesse resumir todo esse aprendizado diria que este é o momento ideal para você investir em inovação, e aqui digo: em processos, em produtos e em experiência. Essas medidas são importantes para se "criar" valor para o consumidor, melhorando a Proposição de Valor da sua empresa. Além disso, utilizar métodos de pricing pode ajudar você a passar pela crise, cobrando o preço justo e adequado sem perder o real valor do seu serviço. Claro, realço ainda em estratégias de marketing como medida para atração e imagem para marca.
Existe um modelo proposto pelo Stephan Liozu que ajuda a entender um pouco o "trajeto do valor", que nos ajuda a entender preocupações, em etapas do que devemos fazer em relação ao valor, e a como devemos criar Proposições de Valor Dinâmicas:
Ao ler este artigo que saiu na EXAME (!) Negócios contam o que fazem em épocas de vacas magras, coletei algumas estratégias e soluções que são reflexos de nosso período econômico. Que se resumem dentro de uma medida controlada para sobreviver a momentos difícies, alguns dão descontos, ou baixam preços ou investem em produtos novos.
"[Na paleteria Palecolé] A estratégia para virar o jogo começa desde o outono. "Tem que ser bem criativo, o que não é fácil. O segredo é você incrementar produtos e criar promoções, para atrair o público. Fazemos o que o consumidor procura: não podemos nunca perdê-los de vista. Assim você consegue manter um faturamento mínimo e segurar até o próximo verão", afirma Galvez. A marca lança produtos novos todos os meses, sendo que uma das novidades é a paleta de sabor capuccino com doce de leite..."Nesse boom todo que teve do ano passado para cá, alguns não sobreviveram por conta de um plano de negócios ruim, com pouca pesquisa de mercado".
"Na internet [a Usina de Massas], trabalha com cupons em aplicativos e promoções nas reservas feitas online. Já no próprio restaurante, há vinhos por preços mais baixos e também descontos nos pedidos por telefone. Mas, para quem pensa em adotar a mesma estratégia, vale lembrar que é preciso incluir esse desconto no planejamento da empresa, e pensar em como isso afetará a margem de lucro."Em outra medida essa estratégia parece permear empresas de consultoria e Imagem Corporativa mas com um grau mais acentuado de redução de preços, como vi em "Mais serviços pelo mesmo preço para reter clientes". Para sobreviver a crise e manter a carteira devemos olhar com atenção essas estratégias:
"[Laís Guarizzi, presidente da G&A]..."Ao invés de quatro treinamentos, como estava previsto, vamos fazer sete pelo mesmo valor. São estratégias para que a gente possa surfar, nesse momento de crise econômica." Giovanna diz que há dois anos percebeu a crise e desde então vem se preparando. Ela relata que, neste ano, apenas um cliente pequeno suspendeu o trabalho. "Os demais mantiveram a situação da forma como está, apenas não conseguimos reajustar os preços dos novos contratos."
Para manter o fôlego, a agência vem fazendo um "trabalho conjugado de comunicação que envolve gestão das redes sociais, comunicação interna, publicações, entre outros". "Isso tem nos permitido não apenas manter o cliente ativo na casa, como ampliar até a nossa participação", relata. A meta, segundo explica Giovanna, é "crescer dentro dos meus clientes e com isso ganhar um fee adicional e isso significa uma sinergia em termos de custos para o cliente porque você faz um pacote de serviços".Reflito seriamente: Não sei se o cliente não quer realmente pagar pelo serviço. Eu suponho que ele queira é pagar menos pelo serviço contratado e não, ter justamente mais daquele serviço ofertado para ele, pagando a mesma coisa. São estratégias de sobrevivência que me fazem pensar justamente sobre como você costuma cobrar sobre seus serviços, como você costuma vender, criar a proposta e realçar sua competitividade pelo seu diferencial. Posso estar sendo romântico, mas aquela empresa que enxerga que é primordial o investimento naquela disciplina, ela tenderá a reduzir o preço pago, para justamente manter sua competitividade, imagem em voga.
Uma saída mais amena me parece ser o que o Mário Moyses, diretor executivo da Comunicação+ faz:
"...a agência não perdeu clientes e está procurando, "ao invés de reduzir os custos, ampliar o leque de serviços que oferece" - a Comunicação+ tem 30 clientes e está há oito anos no mercado. "No atual momento, cliente e agência precisam estar muito próximos e discutir de maneira transparente a necessidade de redução de custo e o impacto que isso pode ter", sugere. "Estamos discutindo o preço junto com o produto, ou seja, é a proposta de valor que a empresa tem para oferecer nesse momento", explica. Juntas, as duas partes têm que "avaliar o que pode ser sacrificado com o menor impacto possível."Quando a principal medida gerencial de uma empresa é baixar preços, eu olho com um pouco de desconfiança para quem assume isso como 'estratégia'. Mesmo não querendo desconsiderar, enxergo que o caminho o mais apropriado é 'falar a real' e conversar com os seus stakeholders sobre a situação.
UM CASO DE SUCESSO
A Flores On Line, citada nesta matéria da Globo News, é um caso de sucesso porque ela enxerga valor no seu produto - flores, e busca justamente investir internamente neste momento como medida para manter a competitividade. Ela investe em processos para criar valor para o consumidor, lapidando sua Proposição de Valor, com foco em logística e conveniência. (Assista a matéria!) Preço? Não foi cogitado reduzir. Porque ele sabe que para se manter competitivo dentro de um mercado que vendem flores, flores (!), seu maior ativo é sua capacidade operacional e capital humano para assim criar marca.
Para oferecer valor passa primeiro por você saber o que o consumidor valoriza. Aqui entra o entendimento de que tarefa o que consumidor está buscando resolver. A Flores On line percebeu que o seu produto tem uma carga emocional e é amparado por valor emocional forte, mas que só isso não bastava para ser competitivo. O cliente quer que o seu problema esteja resolvido (o destinatário receba as flores), mas que esteja bonita, cuidada, vistosa, numa embalagem bonita...(Brand Promise+Value Proposition+Recursos-Chave+Treinamento). Aqui você pode explorar estratégias de redução de preço? Poder pode, dependerá do tipo de mercado que você quer destinar sua força.
Quando você ampara seu produto com uma estratégia que destina recursos para entregar uma promessa forte constantemente, (como foi o caso do executivo da Flores que investiu internamente, em logística), existe maior possibilidade de sucesso, mesmo em momentos de crise.
OUTROS EXEMPLOS QUE SERVEM PARA GRANDES OU PEQUENAS
O brasileiro é alguém que se adapta fácil a ambientes incertos. Nesta reportagem no Jornal da Band (Setor de serviços cresce em junho e vai na contramão da economia) mostrou justamente isso, num acumulado o setor de serviços não cresceu desde o início do ano, mas em Junho cresceu 2,1% e as medidas tomadas por alguns empresários foram:
- Utilizar seu Know-how em seu setor em busca de fortalecer a credibilidade: Ampliar sua oferta de serviços, oferecendo Treinamento e Qualificação em sua área = verbas maiores, modelo de monetização mais duradouros, geração de caixa mais rápido. Investir em educação para o próprio mercado;
- Investir em Customer Service, visando Customer Experience (sim, são coisas diferentes): Aqui vemos um exemplo excelente (e simples) de atitude diante do serviço. Uma pequena empresa de mudança busca o "atender bem" como diferencial. Mesmo que a proposta em si não tenha tanta elaboração - segundo a matéria. A figura da Dona/Presidente da empresa como principal criadora dessa cultura do cuidado e monitoramento, ajuda a empresa a 'passar uma boa impressão' numa empresa de Frete/Mudanças. Ou seja, entregar bem, não é entregar com experiência, mas já é suficientemente bom para aumentar lucros. Porque sabemos que Customer Experience é mais complexo e completo do que se ater apenas a um bom Customer Service. No entanto, vimos já uma destinação de recursos (como caixas, fitas, treinamento dos funcionários) para esta estratégia. Afinal, é muito importante, uma boa entrega de Customer Service, causa uma boa percepção de Service Quality, causando o boca-boca que segundo a matéria era fonte de 50% dos novos serviços na empresa.
- Mas, claro, fornecer promoção ou descontos para compras em maior quantidade
Vejamos o seguinte. Na matéria da Exame, uma das empresas, a Paleteria Palecolé, havia se preparado antecipadamente para uma possível queda nas vendas e fez caixa anteriormente. Acumulou dinheiro, para poder sustentar - diante da estratégia adotada antecipadamente, de diminuir o valor do produto. Eles poderiam ter tomado uma outra iniciativa? Certamente. Mas independente de ser sazonal ou não, pensei em algumas dicas gerais:
- Destinar investimentos em campanhas de marketing para atrair consumidores
- Focar recursos e esforços em um público maior, ou em uma região. Por exemplo: Um shopping tem um público mais propício a compra maior que outro.
- Reduzir portfólio (quando estamos falando em crise) deixando os mais lucrativos como opções, e/ou Reduzir produção dos com menos saída, mantendo o Long Tail no portfólio (lembra o caso do Mario Moyses?).
- Caso haja gestão antecipatória e esteja com dinheiro em caixa, pode ser uma hora de investir em compras de recursos: físicos (terrenos, já que não dá tantos problemas, ou maquinário, caso o dólar permita) ou até adotar a compra de concorrentes.
- Hora de investir em inovação de produto e/ou revisar portfólio de produtos. Quem sabe aquele produto não poderia ter um acabamento diferente, ou uma edição limitada?
- Investimento em Inovação (novamente) para revisar processo produtivo interno, para reduzir tempo, e custo (sem prejudicar a eficiência). Já pensando quando sair da crise.
- "Reduza custos, eventualmente dividindo o mesmo espaço de trabalho com outras pessoas, renegociando aluguéis, você reduz um pouco as margens, mas por outro lado sobreviva nesse momento." Dicas do Mauro Sayar, Economista, que foi o entrevistado pelo Jornal da Band.
Já para as grandes empresas (só grandes mesmo?) uma das principais estratégias atualmente diante do cenário de crise e de dólar, é vender para fora. Que é justamente o que Gerdau, WEG, Alpargatas, Portobello, Arezzo, Paranapanema, Ferbasa, Tupy, Ambev, Iochpe-Maxion e Marcopolo vem fazendo. Realço aqui algumas passagens nesta matéria do Valor Econômico:
"Levantamento feito pelo Valor Data com 248 empresas não financeiras mostra que a receita líquida nos meses de abril, maio e junho subiu 9% e passou para R$ 317,24 bilhões...o lucro líquido melhorou 18%, para R$ 21,91 bilhões.
...a WEG é um caso clássico de crescimento nos resultados no trimestre. A receita total subiu 29% nos meses de abril, maio e junho de 2015, sendo que o avanço desse indicador no exterior foi de 41% no mesmo período. A participação do mercado externo na receita total saiu de 51% para 55%. "A desvalorização da moeda brasileira potencializou a diversificação geográfica e a ampliação da linha de produtos, resultando em forte crescimento da receita líquida."Se lembra da matéria no Jornal da Band da empresa que investiu em Know-how? Ela certamente teve que buscar outros tipos de públicos, diversificou os seus serviços e buscou outros targets. Este é o momento, de você rever seu modelo de negócio, como também seu modelo de monetização buscando novos público que tem a mesma tarefa a realizar do que o seu, mas você o desconsiderava antes.
PROCESSO: UM ASPECTO ESQUECIDO
Lendo a Época Negócios deste mês de Agosto, existe uma entrevista excelente(!) com o Armen Ovanessoff, diretor-chefe do Instituto de Alta Performance da Accenture que durante 1 ano fez um estudo "O que as empresas devem fazer para estimular o crescimento da produtividade no Brasil". Apontando coisas muito interessantes, e acredito que esquecidas pelas empresas: Processos e Produtividade. (leia aqui página 106, caso não tenha comprado a revista ainda)
Grifo umas partes:
"Inevitavelmente as empresas vão agir quando suas finanças forem afetadas. Uma das razões pelas quais os problemas advindos da produtividade se arrastaram por tanto tempo é que as companhias e a economia conseguiram seguir em frente sem enfrentá-los. Isso foi possível graças à demanda, ao forte crescimento doméstico, especialmente em razão da alta na renda nos últimos anos, e por conta do superciclo das commodities, que atraiu o apetite da Ásia, em particular da China, pelos produtos básicos e recursos naturais brasileiros. Mas esses vetores de crescimento foram exauridos, certo? A demanda doméstica está lenta. A China não cresce mais da mesma forma. Então esses não são mais estímulos com os quais podemos trabalhar. De onde virá o crescimento? Virá de melhoria na produtividade e por consequência da competitividade."
" Por muito tempo, o empresariado brasileiro teve a capacidade de ignorar esse quadro. Tome a indústria de consumo e serviços como exemplo. As receitas desse setor continuam a crescer. Na verdade, elas quadruplicaram entre 2007 e 2013. Até mesmo nesse momento difícil as receitas cresceram. Mas não a lucratividade. Os lucros caíram nesse período, e os custos continuaram a subir."
"logística TNT, que percebeu que a importação de carros era um grande problema que afetava seus clientes da indústria automotiva no Brasil. A demora gerava muitas vezes a necessidade de comprar os componentes de última hora, de outros países, e fazer o transporte por avião, o que saía muito caro. Assim, a TNT criou um mapa detalhado de todos os pontos pelos quais um componente passaria da Europa até chegar ao Brasil e por quais modais de transporte. Depois de coletar muitos dados e analisá-los, identificou 25 falhas."Não esqueçamos da empresa investir numa Transformação Digital
Aqui Armen fala da importância do investimento em tecnologia independente do tamanho da empresa:
"...ao contrário do que muitos pensam, inovação não significa que os pequenos negócios serão engolidos pelos maiores, coisa recorrente no passado, no entanto, a realidade contemporânea tem disponibilizado ações simples e mais viáveis para empresários com poder de investimento um pouco mais modestos... muitas pesquisas recentes igualmente têm revalidado o quão profícuo tem sido a aplicação de ferramentas digitais nos processos administrativos."Curiosamente me deparei estes dias com essa frase do Nassim Taleb, que resume muito bem o que o Armen diz:
Bureaucracy is a construction designed to maximize the distance between a decision-maker and the risks of the decision.
— Taleb Bot (@TalebBot) August 18, 2015
É só lembrar este levantamento realizado pela Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei). do ano passado, destaca Naldo Medeiros Dantas, secretário-executivo:"54% das empresas de médio porte não possuem processo formal de inovação e apenas 3% apontam a inovação como uma prioridade em curto prazo. A dificuldade de promover projetos no segmento, afirma Dantas, traz impactos negativos para a competitividade das cadeias produtivas. "Na área industrial, os negócios de médio porte perdem força e sucumbem diante da concorrência com artigos importados."
ENTÃO...
Se eu pudesse resumir todo esse aprendizado diria que este é o momento ideal para você investir em inovação, e aqui digo: em processos, em produtos e em experiência. Essas medidas são importantes para se "criar" valor para o consumidor, melhorando a Proposição de Valor da sua empresa. Além disso, utilizar métodos de pricing pode ajudar você a passar pela crise, cobrando o preço justo e adequado sem perder o real valor do seu serviço. Claro, realço ainda em estratégias de marketing como medida para atração e imagem para marca.
Existe um modelo proposto pelo Stephan Liozu que ajuda a entender um pouco o "trajeto do valor", que nos ajuda a entender preocupações, em etapas do que devemos fazer em relação ao valor, e a como devemos criar Proposições de Valor Dinâmicas:
- Criar Valor: Investir em Inovação de qualquer tipo, investigando profundamente as user-needs do usuário, e porquê ele tá nos contratando, o que ele espera e como podemos oferecer inovação em forma de produtos/serviços investindo recursos operacionais internos em busca de eficiência;
- Quantificação do Valor: Criar estratégias que entreguem "experiência tática" para o cliente através de uma comunicação amigável, focada e criativa. Tão bem quanto precificar seu serviço/produto unindo o que o consumidor enxerga de valor (o real problema que ele precisa resolver) e o quanto de know-how e capacidade você tem de entregar aquilo para resolver o real problema dele. Maximizar a lucratividade alinhando preço e valor, e não em busca de market-share.
- Captura de Valor: Como treinar sua equipe de vendas para que encontre um modelo de negociação que mostre o quão valioso você pode ser em resolver os problemas do cliente através de experiências e solução, sem prejudicar o real valor da sua diferenciação, mensagem e do seu conhecimento, mas que seja bom para os dois? Como melhorar sua venda para capturar valor oferecendo uma negociação baseada em stories, imagens criadas a partir do problema do cliente, instigando possibilidades futuras, para lucrar e aumentar o valor da sua marca.
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quarta-feira, julho 01, 2015
Em tempos de crise: a criação de uma nova cultura é fundamental para sustentabilidade da estratégia
"Quando o crescimento estaciona, as coisas começam a falhar. A confiança fica ameaçada, a confusão reina e talvez seja difícil distinguir quais problemas são a causa e quais são o efeito. Falta de consenso [em relação a qual estratégia seguir], perda de foco, perda de coragem [em fazer investimentos em inovação] e inconsistência de marketing alimentam-se entre si, em um ciclo vicioso e cruel, enfraquecendo os esforços para virar a situação - e às vezes passam despercebidos. Enquanto as reuniões do Conselho e as discussões estratégicas são voltadas à dinâmica externa que impede o crescimento, o maior inimigo, em geral, repousa na empresa, criando uma reação em cadeia negativa enquanto causa prejuízos silenciosamente...a dinâmica interna representa o maior teste - e a maior oportunidade - para uma empresa em dificuldade."
- Steve McKee, Mercados Estagnados (When growth stalls)
quinta-feira, maio 14, 2015
Sobre crescer e competir no Brasil
"...o desembolso por meio do Cartão BNDES - para aquisição de máquinas e equipamentos no portal eletrônico do banco, pelas micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) - cresceu 16%, alcançando em torno de R$ 2,8 bilhões. Outro destaque foram as liberações para inovação, com alta de 9% no trimestre, atingindo R$ 1 bilhão..."
Do total desembolsado no acumulado janeiro/março deste ano, a maior parcela, equivalente a R$ 11,7 bilhões, foi destinada à área de infraestrutura; seguindo-se R$ 10,4 bilhões para indústria, R$ 7,6 bilhões para comércio e serviços; e R$ 3,5 bilhões para agricultura. Para essas áreas, os recursos sofreram redução de, respectivamente, 25%, 17%, 34% e 13%."
Inovação sendo buscada, mas ainda pouca. Infraestrutura tendo queda de empréstimo, justamente em ano de 'crise'.
http://www.jb.com.br/economia/noticias/2015/05/14/volume-de-recursos-liberados-pelo-bndes-cai-24-no-primeiro-trimestre/
sábado, abril 25, 2015
Estrategistas têm que ter coragem
Essa é a mensagem subliminar que Patrick Lencioni dá neste artigo How to Grow by Cutting Back, na Inc Magazine deste mês. Vale dar uma olhada.
[I'd been invited to attend the weekly executive team meeting, where our leaders were discussing a fundamental shift in product strategy. At one point, the head of marketing said, "Customers aren't going to like this," prompting the CEO to declare, "Screw customers. If we let them choose our strategy, we'll go out of business."
As heretical as that sounds, today I understand the CEO's wisdom. His willingness to try something new, even if it displeased some long-term customers, ultimately allowed the company to attract new business--and propelled it to that $1 billion revenue goal.
So when you attempt to transform your organization and simultaneously retain every employee and every customer, you're sabotaging its growth and health. You're placing a higher priority on avoiding painful conversations than on fulfilling your mission.
That's why leaders of all companies--and especially of those trying to grow--need to go into work every day willing to sacrifice for the good of the organization.]
segunda-feira, março 23, 2015
Atualmente estou trabalhando num projeto de desenho de uma solução para um grande cliente. Depois de um processo intenso e exaustivo de estudo, passando por entrevistas que me marcaram bastante porque nos fazem nos aproximar cada vez mais do que é um ser humano, sua complexidade e lutas diárias, que foi mais um grande exercício de empatia. Começamos a enxergar no horizonte, soluções possíveis.


Ao longo deste processo de inovação -que é centrado no ser humano, me fez me aproximar mais da sensação de que podemos sim realmente sermos construtores de coisas, serviços, produtos ou de boas lembranças para as pessoas. Basta exercitarmos para entrar em sintonia com uma humanidade, respeito e objetividade, para realmente fazermos diferença nas vidas das pessoas. Não é/não está sendo um trabalho fácil, mas é recompensador ter este aspecto ao longo deste caminho de aprendizagem e solucionamento.
Pois bem, lendo este fim de semana o livro Design for Dasein: Understanding the Design of Experiences, me suscitou novamente diversas reflexões sobre a natureza construtora humana de que nós todos podemos ser criadores (e criativos) de alguma coisa, onde tudo começa com o 'estar com o outro'.
"...the conscious generation of empathy through design research methods and problem-framing is a conscious enactment of our being-with others. Empathy exists everywhere and at any time we demonstrate understanding for others.... through this care of designing, we come to know the world. Techne, or the craft/ hand-work in which designers take part, is both an act of making and an act of knowing. Being a designer involves the preservation of the connections between making, caring, knowing, and understanding."
Paralelamente a isso, relendo o livro da Carol Dweck, o Mindset, me ajudou a acalmar minhas expectativas e ansiedades sobre como navegar no caos, na incerteza de como refinar uma idéia para ela ser e se tornar tão importante para uma pessoa incorporar em seu dia-dia. Levando-me a pensar que mesmo quando não temos uma grande certeza de como será o seu final devemos continuar.
"...mesmo que você acredite que não sabe fazer bem determinada coisa, ainda assim, é possível mergulhar nela com empenho e perseverar. Na verdade, as vezes você se dedica a alguma coisa exatamente por não saber faze-la."
Ambas frases são complementares e falam de duas coisas distintas que se conectam: o fazer, e o como continuar fazendo.
A cisão
Ao longo da Revolução Industrial, o ofício do artesão foi desmembrado fazendo com que cada um dos aspectos gerais de se desenvolver um objeto fosse dividido em várias etapas, criando uma cisão e um distanciamento - chegando até os dias atuais, do que é "enxergar o todo". De se ter um olhar sistêmico sobre fazer produtivo de um objeto, serviço ou até uma idéia. O exercício da empatia, o exercício do ouvir, o exercício do cuidar, o exercício do "making, caring, knowing, and understanding."ficaram prejudicados ao longo dos tempos, fazendo com que isto perdesse um pouco o seu peso e, profissões especialistas começassem a surgir. Hoje temos especialistas em tudo em todas as áreas.
Ao longo da Revolução Industrial, o ofício do artesão foi desmembrado fazendo com que cada um dos aspectos gerais de se desenvolver um objeto fosse dividido em várias etapas, criando uma cisão e um distanciamento - chegando até os dias atuais, do que é "enxergar o todo". De se ter um olhar sistêmico sobre fazer produtivo de um objeto, serviço ou até uma idéia. O exercício da empatia, o exercício do ouvir, o exercício do cuidar, o exercício do "making, caring, knowing, and understanding."ficaram prejudicados ao longo dos tempos, fazendo com que isto perdesse um pouco o seu peso e, profissões especialistas começassem a surgir. Hoje temos especialistas em tudo em todas as áreas.
Ou seja, nossa capacidade humana em olhar o todo ficou prejudicada com o início da industrialização porque não conseguimos olhar, ou considerar ao menos os impactos e em quais sistemas aquilo que estávamos criando se inseria. Tanto quanto como os objetos/serviços se relacionariam com as pessoas. E essa figura do artesão que conseguia ter uma visão, um ritmo próprio e controle de todo o seu processo produtivo, desenvolvendo seu método próprio em cima do seu todo (confeccionar o seu objeto) nos faz lembrar o quão ficamos reféns hoje em dia de aspectos além da nossa capacidade.
Talvez não fomos ensinados a olhar o todo (porque dá trabalho) antes de tomar decisões. Daí a importância de processos colaborativos que unem visões diversas para resolver problemas. Talvez não fomos ensinados a refletir substancialmente antes de decidir sobre nossas vidas pessoais ou profissionais. Daí a importância hoje em dia do filosofia e da psicologia para nos ajudar a entender origens e impactos. O imediatismo e o curto-prazismo nos foi vendido como maneira de decidir - porque sempre foi assim. Daí a importância de exercitar modelos de gestão que sejam mais duradouras como o branding, que nos permitem decidir pelos olhares dos valores e da identidade da empresa.
O designer é um conector
Tropecei novamente com esta frase no post da Alma: "Problem Setting —Sense Making — Problem Solving as necessary steps in a circular process of sustainable decision-making to avoid Innovation collapse." Que coroa um pouco o que quero dizer sobre criar algo realmente relevante hoje em dia: o pensamento sistêmico, somado ao pensamento do cuidar e da nossa busca por melhorar a maneira como nos conectamos socialmente.
Tropecei novamente com esta frase no post da Alma: "Problem Setting —Sense Making — Problem Solving as necessary steps in a circular process of sustainable decision-making to avoid Innovation collapse." Que coroa um pouco o que quero dizer sobre criar algo realmente relevante hoje em dia: o pensamento sistêmico, somado ao pensamento do cuidar e da nossa busca por melhorar a maneira como nos conectamos socialmente.
Somos todos designers, porque todos podemos ser construtores. Basta exercitar mais o nosso olhar humano, inato a nós, inato a nossa capacidade biológica e reflexiva em "bring to life" nossas idéias através de nossas mãos, nossos ouvidos e nossa boca. Não reduzamos nossa maneira de sobreviver à apenas a criatividade de momento, mas exercitemos maneiras de melhor estabelecer qual problema realmente estamos resolvendo, em como devemos resolver estes problemas, e quais métodos vamos usar para decidir, levando em conta consequências e impactos sociais.
Exercitar nossa cultura social é galgar construir sociedades melhores e mais conscientes de seu papel. Isso passa desde a forma como você conduz o seu próprio trabalho e resolve os problemas com fornecedores ou com colegas de trabalho. Passando por como você se posiciona na sociedade, em seu mercado e na sua vida.
Texto original publicado no Linkedin :)
imagem: http://little-people.blogspot.com.br/
Texto original publicado no Linkedin :)
imagem: http://little-people.blogspot.com.br/
domingo, março 01, 2015
O conhecimento nos faz mais independentes do Estado?
Na The Economist vale ler dois artigos "A Belíndia empresarial brasileira" o qual mostra como o setor empresarial funciona em números absolutos tanto em pequenas, medias e grandes empresas. Percebe-se que a competitividade que tanto almejamos não começa só por incentivos fiscais e baixa tributação. É cultural, é o nepotismo e a capacidade de medição de resultados e aprimoramento do aprendizado.
Separo uma parte importante do artigo:
"As empresas brasileiras enfrentam vários problemas: burocracia, regras tributárias complexas, infraestrutura precária e uma carência de trabalhadores especializados - para não falar da estagnação econômica. Mas uma grande razão para o desempenho inferior é menos considerada: a má administração. Desde 2004, John van Reenen, da London School of Economics, e seus colegas analisaram 11.200 empresas de médio porte em 34 países, classificando-as numa escala de cinco pontos baseada em quão bem elas monitoram suas operações, estabelecem metas e premiam o desempenho. A pontuação média das empresas brasileiras, de 2,7, é semelhante à da China e um pouco superior à da Índia. Mas o Brasil fica atrás do Chile (2,8) e do México (2,9). Os Estados Unidos lideram o grupo com 3,3. As melhores empresas brasileiras pontuaram tão bem como as melhores americanas, mas sua longa cauda de má administradas é maior.
...A pesquisa de Van Reenen mostra que onde proprietários familiares optam por diretores-presidentes de fora, suas empresas não se saem pior do que outras de tamanho similar com acionistas mais diversificados. Com muita frequência, porém, elas preferem parentes a gestores profissionais - e o desempenho sofre. Isso vale particularmente em sociedades de “baixa confiança” como o Brasil, onde os donos contratam parentes em vez de estranhos mais bem qualificados para evitar serem roubados ou processados por infringirem leis trabalhistas muito favoráveis aos trabalhadores."
Curiosamente, em outro artigo da mesma revista um dado me chamou a atenção, a velocidade e a força do crescimento dos salários do setor publico foi bem maior do que os do privado. Isto mostra o quão grande nossos impostos tem peso, somado ao que ouvi ontem no Painel da Globo News "Hoje o Brasil é um país caro de se manter." Seria isso um indício do quão procuramos concursos públicos? E do quão é muito atrativo trabalhar numa empresa estatal e pro Estado?
Arrecada-se tanto do contribuinte, mas administra-se mal publicamente e no setor privado.
domingo, fevereiro 22, 2015
A eficiência da imperfeição
Estamos em um momento liquido, amorfo, concentrador de riqueza e incertezas. Nossos objetivos de vida estão mais eficientes e nosso eu é bombardeado por frases de auto aceitação de nossas fraquezas e imperfeições. Somos objetos de nossos objetivos, porém nós nos tornamos instrumentos imperfeitos da eficiências industrial.
Essa dicotomia nos indica um reforço em nossas angustias diárias em sermos mais focados em nossas carreiras e atividades de vida (seja no trabalho ou no amor) sendo instrumentos de propósitos e felicidades que compramos suas idéias cada vez mais, achando que nos darão mais certezas sobre as nossas decisões. É um universo estranho entre se aceitar imperfeitamente em nossa unicidade, mas adorar se sentir igual aos outros, um normal. Aceitamos a diversidade, mas é a padronização que nos acalma.
O homem adora o padrão e padronizar. O padrão, é um conforto emocional que empresas adoram pela eficiência produtiva, mas ao mesmo tempo se torna seu maior inimigo, pois o fenômeno da redundância é custoso, caro e ineficiente diante da busca implacável da lucratividade.
Marcas crescem em busca de diferenciação, introduzindo modelos eficientes de crescimento e produção, mas pouca capacidade em se diferenciar diante do padrão (o estado permanente de commoditizacao de um produto/serviço) aceitável de competição, porque tem dificuldades em enxergar-se como empresa e sua missão e propósito, quanto seres humanos quanto criadores de valor para alguma coisa. Concorrer no mercado hoje em dia, se faz necessário ser mais rápido que a criação de um padrão. Para isso a inovação e a aceitação da incerteza e ineficiência surge como um grande angustiador para executivos que buscam uma genuína vantagem competitiva minimamente duradoura. Aceitar a incerteza é trabalhar voltado ao que mais nos atinge, nossa ineficiência em sabermos tudo, em todas as nuances e, algumas vezes nos deparar com pessoas que testam nossas convicções.
"Existem males que vem para o bem". Esta frase não existe no universo empresarial. Não existe a presença do erro, apenas projetos controlados e muito bem construídos para obter resultados rápidos e eficazes. Sim, é isso. Está certo. Nem sempre isso acontece, daí a importância em olhar os erros com o olhar humano. Quem disse que todos os dias temos que pegar o mesmo trajeto para ir ao trabalho? Podemos escolher outros. Testar. Uns terão mais cores, outros menos. Nenhum sistema é eficiente até que se prove o quanto ele é capaz de suportar sua uma resiliência. Ir além do que se tem, ou melhor, ir paralelo ao que se tem é uma maneira de dentro de universos controlados, explorar novos caminhos não-usuais.
Gerar inovação se torna um exercício de entender a natureza humana e se pôr numa situação de incerteza e insegurança sobre o futuro. Não acredito na inovação apenas pelo que os outros pedem, mas pelo que/como se sente o ambiente externo, e em como você se encaixa nele e coexiste.
Inovar tem sido cada vez mais um teste de valores para provar o quão cada ser humano é capaz de suportar e buscar seu melhor projeto. São obsessões parecidas a de alguns artistas. Cujo ambos exemplos precisam exercitar, criar ambientes propícios e favoráveis para expressar sua capacidade em ser criativo. Porém, com consequências diferentes e ambientes de experimentação diferentes e controlados, sem distrações muitas vezes. Mas que tem parecido ser cada vez mais divertidos (ou deveriam ser).
Não é de admirar que esteja longe de mim tudo o que não sou eu. Todavia, o que há mais perto de mim do que eu mesmo? - Santo Agostinho, Confissões, X, 16.
Seremos sempre imperfeitos, porque sempre seremos emocionais e intuitivos. Seremos sempre buscadores de padrões, mesmo adorando entrar nas nossas cavernas escuras de platão. Estaremos sempre longe de nós mesmos quando começamos a perder a capacidade de valorizar nossa jornada. Temos que ser efetivos em buscarmos a perfeição e eficientes em lidarmos com a imperfeição.
Henry David Thoreau disse certa vez "Men have become the tools of their tools." Eu eu me pergunto, a quem/que você serve? Por quê? Está valendo a pena? Se não, você pode até criar a eficiência no que você faz, mas não se deixará cair no inesperado gosto da incerteza. Nos impedindo de caçar além de nosso território conhecido. Que é isto que nos torna autênticos, um passo de cada vez. Quem disse que tem que ser pra frente? Por que não para o seu lado?
O mundo é multipolar, é multiverso.
O mundo é multipolar, é multiverso.
Seja efetivo em buscar a perfeição
post publicado originalmente em meu espaço no Linkedin
quinta-feira, janeiro 15, 2015
Um dever do líder é dar tempo e condições para inovação acontecer
"“How much time companies allocate depends on the level of uncertainty they face and the importance of innovation (for example, Valve competes in a high-uncertainty market and believes it creates all its value through customer-focused innovation). Time has the power to let people explore new ideas that may not make sense at first; but the greater the variation in new ideas you test, the higher the probability that some will prove valuable...No matter how it’s done, leaders must make sure that employees are given the time—and the expectation—to conceive and test new ideas. It helps if leaders set an example” - Jeff Dyer, em The Innovathors Method
quinta-feira, dezembro 11, 2014
Que branding? Benefícios e uma pequena visão sobre branding
No meu novo espaço lá no Linkedin postei um novo material, cujo texto transcrevo aqui.
Para fazer as pessoas entenderam o que é algo novo, é preciso apresentá-lo de uma maneira palatável. Para isso, podemos dar nossa visão de mundo ou nos valermos de interpretações acadêmicas para reforçar ou pontuar. A nossa visão individual do mundo muda a forma como vemos as coisas, sempre.
Branding é uma abordagem de gestão que propõe aumentar o valor da marca, fomentando uma cultura que decida, comunique, interaja e propõe produtos, serviços ou experiências, considerando a marca e seus valores, seu principal ativo.Esta é a minha humilde opinião sobre o que é esta disciplina. Cada um tem sua leitura conforme a sua vivência, olhar, sensibilidade e prática. Contudo penso que cada vez mais sua interpretação tem evoluído ao longo do tempo, como a minha não é igual a que tinha há 5 anos atrás. Coisa que ao escrever este post, já tenho uma visão levemente atualizada...
O grande ponto em quem propõe mudar sua empresa de uma empresa orientada ao marketing ou ao produto, é fazer com que sua cultura interna crie condições para que toda vez que você for decidir algo, criar um produto ou serviço ou comunicar, você vista os ‘óculos da marca’ - e não apenas o 'óculos do mercado e do oportunismo'. Para então manter uma decisão autêntica, clara e perceptível aos olhos do público interno e dos seus consumidores. Mas para isso é necessário a revisão de seus valores, e estratégias (de marca e de negócio) para que as mesmas se tornem coerentes e diferenciadoras. Não só adicionando novas funcionalidades a um produto, mas mantendo a ambição de criar um diálogo, a empatia e uma real relevância para as vidas das pessoas em forma de produtos/serviços/experiências.
É fácil seguir a onda do momento ou obter respostas mais rápidas quando as empresas investem toneladas de dinheiro em propaganda de TV ou RP. Um outro ponto a ser discutido é: tudo constrói marca. Tudo. Todas as suas ações que são passíveis de julgamento comunicam alguma coisa para seus funcionários, fornecedores ou consumidores. Por isso, temos que sempre pensar de forma profunda sempre quando buscamos construir uma marca, adotar alguma medida interna, alguma política com funcionário, ou como vamos investir nossos recursos internamente para manter a coerência e a consistência em todos os pontos de contato.
Para alguns os funcionários se tornam seus principais ativos, não tiro sua razão, contudo a forma como eles trabalham são baseados majoritariamente numa cultura, e quando esta se torna muito maior do que a soma individual de suas expertises produzindo enormes resultados lucrativos e existe o valor nos olhos do consumidor - a marca se torna forte. Ela se torna maior do que os próprios funcionários. Mas claro, eles são indispensáveis e merecem extrema atenção.
Para alguns os funcionários se tornam seus principais ativos, não tiro sua razão, contudo a forma como eles trabalham são baseados majoritariamente numa cultura, e quando esta se torna muito maior do que a soma individual de suas expertises produzindo enormes resultados lucrativos e existe o valor nos olhos do consumidor - a marca se torna forte. Ela se torna maior do que os próprios funcionários. Mas claro, eles são indispensáveis e merecem extrema atenção.

Existem grandes benefícios que dão a condição de (estar) Marca, um status importante para um pequeno e médio empresário.
Os benefícios de se adotar uma abordagem de gestão orientada pela marca são:
- aumentar sua blindagem no mercado diante de novos entrantes,
- aumentar a possibilidade de ter ganhos de preço unitariamente,
- atrair talentos (baseado no que a marca acredita),
- aumentar o poder de barganha com fornecedores e linhas de crédito,
- aumentar a lembrança de marca e integração de compra,
- ganhar força de mercado para criar alianças de mercado (co-Branding),
- alinhamento de significados e experiências em todos os pontos de contato,
- aumentar a Identificação e indicação por parte do consumidor
- aumentar o valor de mercado e atração de investimentos e investidores, e etc.
Quando o empresário não investe na marca da sua empresa, ele perde uma possibilidade de realçar suas diferenciações para o mercado, falar quem ele é realmente de forma clara, profissional e alinhada, construir uma cultura (e funcionários) que não decidam e avaliem apenas pelo seu olhar individual ou ‘de mercado’, que geralmente são decisões momentâneas e oportunistas. Mas sobretudo, hoje em dia investir em marca é criar legitimidade na visão do consumidor para mudar comportamentos e facilitar a vida das pessoas e empresas.
Um empresário que opta por gerenciar sua marca assume uma postura para o mundo, porque adota que a marca é sua maneira de olhar o mundo e ela é calcada fortemente pela clareza de seus valores, pela clareza de sua missão e gerenciamento da estratégia de marca adotada.
Saber para onde ir, todos querem, mas saber para onde ir baseado mais internamente do que externamente (o mercado), é adotar que você revisa e olha para dentro antes de comunicar. Ou seja, precisa SER, antes de COMUNICAR.
Para isso, o empresário precisa criar a capacidade autocrítica de revisar e ser fiel ao que acredita (seu valores, sua essência), e baseado nisto ser capaz de orientar, ensinar, treinar, orientar e gerenciar sua empresa. Tudo são sinais. Tudo comunica.
Agora, uma pergunta crucial: Como gerencio uma marca?
Está pergunta cria ruídos porque varia conforme a maneira do empresário enxerga sua marca. Majoritariamente existem três alternativas: um escritório de design (ou de publicidade), uma consultoria de Branding ou totalmente internamente (aqui, as vezes começa-se com o auxílio de uma consultoria especializada inicialmente).
Qual é a melhor? Qual é a maneira recomendável?
Idealmente quando a gente está doente, procuramos um médico especialista que nos prescreve um medicamente direcionado para aquela dor, e continuamos ao longo do tempo um tratamento, com intervalos maiores até você gerenciar o tratamento mais independente. É o mesmo caso do Branding. Idealmente é melhor consultar e diagnosticar com uma consultoria especializada. Onde, a partir dela, você como empresário se enxerga melhor, enxerga melhor sua empresa e começa um processo de construção de entendimento, alinhamento e implementação, da estratégia, dos valores, da decisões e sobretudo de como se comunica e contrata.
Peçam aos consumidores para descreverem um produto de uma marca, e muito provavelmente eles não irão descrever os termos, símbolos ou designs da marca. Eles irão responder com adjetivos que descrevem as qualidades das marcas. Marcas são reconhecidas e entendidas em um nível emocional, posicionamento pelo qual seus fundadores conceberam.
– Arnold
Percebe que marca é muito maior que um logo simplesmente? “Ser” uma Marca é porque você teve a capacidade de encontrar seus diferencias, mostrar eles de forma diferenciadora e inovadora, e sempre será uma maneira de dizer ao mundo porque você é melhor e pode ser o melhor fornecedor daquele produto para o consumidor.
Amplie a mente sobre as potencialidade de se investir em Branding e aumente seu desempenho no mercado.
Texto adaptado que escrevi originalmente publicado para o blog da Cristiane Thiel
Imagem 1 Jeff SheldonImagem 2 Sylwia Bartyzel
Imagem 1 Jeff SheldonImagem 2 Sylwia Bartyzel
quarta-feira, dezembro 10, 2014
Passivos Intangíveis e os segredos de toda empresa
Toda empresa tem valores, porém tem poucas que tem valores inegociáveis. Ainda mais: Tem muitas que tem comportamentos inegociáveis.
Fiquei pensando o quanto cada empresa é entrelaçada por seus comportamentos repetitivos e contínuos sem perceber o quão ela pode fazer mal à sua cultura, ao seu desempenho e bem-estar dos funcionários.
Li este post do Noah Brier, e me deparei com a necessidade dos diretores entenderem e descobrirem alguns segredos que toda empresa tem. Não são as fofocas, não é a radio-peão, mas são aqueles comportamentos que na mente dos funcionários são inegociáveis porque eles sabem (!) (e vivem assim) que não vão mudar.
Certos segredos as as motivações intrínsecas (negativas), que voluntariamente aceitamos como um acordo velado ao trabalhar naquela empresa. É o que 'nos sujeitamos' ao definir que queremos trabalhar naquele lugar. Estes segredos fazem com que aquele ambiente seja permeado de interpretações que vivem acima das fofocas, e que fazem com que nós decidamos nossas ações baseado no "obedece quem tem juízo". É o molho do poder que nos envolve e nos entrelaça os comportamentos da cultura.Some secrets are small and incremental. Others are very big. Some secrets—gossip, for instance—are just silly. And of course there are esoteric secrets—the stuff of tarot cards and numerology. Silly and esoteric secrets don’t matter much. And small secrets are of small importance. The focus should be on the secrets that matter: the big secrets that are true.
Ao escrever este post me lembrei do termo Passivos Intagíveis que escrevi sobre faz um tempo que se complementa perfeitamente a descoberta e investigação desses segredos:
- As relações pessoais, e a lealdade pessoal devem determinar a distribuição de oportunidade e recursos.
- Conformidade e obediência aos chefes são sinônimos de adequação à empresa.
- Aceitação dos limites da tarefa é prova de que o empregado conhece o seu lugar.
- As possibilidades de produção de riqueza são limitadas, por isso concorrer a todo custo no mesmo nicho e no mesmo segmento de mercado é fundamental para o crescimento.
- Inovação e geração de valores intangíveis é coisa para grandes empresas e para multinacionais.
- Gestão estratégica de pessoas é pura teoria; na prática, o importante é pressionar as pessoas para que deem resultado.
- Teoria é o oposto de prática, portanto o importante é colocar todos os esforços na solução de problemas de curto prazo que um dia teremos dinheiro para pensar e planejar nosso modelo de desenvolvimento organizacional.
- Planejar é perda de tempo, o importante é agir.
- Esforços de comunicação também são perda de tempo: se as pessoas não sabem o que se espera delas e não fazem esforço para corresponder, houve um erro de contratação.
- Para crescer, é preciso investir em ativos tangíveis e acumular capital para alavancagem.
- Informação é poder, é preciso resguarda-la.
- Mudança organizacional e capacidade competitiva se conseguem com pressão por resultados e forte competição interna entre os indivíduos.
Fica claro que toda empresa que vive no modelo centralizador, ou até descentralizador de gestão cultiva pelo menos alguns destes passivos. Comum a nossa cultura e totalmente recorrente.
Curioso que cada vez mais há uma busca por transparência, coletividade, colaboração, mas existe uma resistência natural a deligação, a se livrar de rituais e crenças veladas dentro da empresa que perpetuam comportamentos - as vezes prejudiciais. Será que culturas ágeis e em constante transformação incomodarão essas estruturas rígidas e totalmente
hierarquizadas horizontalmente. Não sei, mas incomodam ao ponto de atrair talentos.
Num cenário futuro, parece que teremos grandes empresas cujo crescimento se deveu por competência, mas sobretudo por compras e aquisições, ou perpetuação destes passivos intangíveis onde 'só os fortes sobreviverão', e de um outro lado aquelas empresas ágeis, que podem ser grandes ou pequenas, mas que tem a capacidade de se adaptar porque criaram capacidade autocrítica (estimulada pela empresa) de promoverem melhores líderes, de promoverem ambientes melhores de se trabalhar, delegações e trabalhos por performance inspirada.
imagem:
The power of progress: Paul Delaroche’s The Conquerors of the Bastille Before the Hôtel de Ville in 1789 (1839). Photo: Musée de la Ville de Paris, Musée du Petit-Palais, France/Bridgeman Image
The power of progress: Paul Delaroche’s The Conquerors of the Bastille Before the Hôtel de Ville in 1789 (1839). Photo: Musée de la Ville de Paris, Musée du Petit-Palais, France/Bridgeman Image
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