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domingo, dezembro 07, 2014

Construir um grande amanhã passa por exercitar uma mente positiva e por um desapego pela proteção

Um jornal na Rússia resolveu fazer um experimento. Decidiu durante um dia que só postaria notícias felizes, boas histórias, boas notícias. Resultado: 2/3 dos leitores foram embora no mesmo dia. O artigo revela que temos um gosto (psicológico) por ler más notícias, maior do que as positivas, e que guardamos mais e lembramos mais dos momentos ruins do que dos bons. Suponho que esta avidez maior por ler coisas ruins nos torne mais conservadores e usemos mais como forma de proteção (talvez).
Talvez se o experimento fosse em outro pais, como na Suécia, ou Austrália tivéssemos outro resultado. Ou até em algum na Europa fosse diferente. O contexto pode mudar, imagino. Não sei. O meu receio é que nós acostumemos a ouvir 'a má notícia da má notícia'. O que seria isso? Manipula-se a já má notícia para haver maior procura. Afinal, "o que sangra, é notícia". Pior, neste cenário vicioso, é assim que dentro das empresas decidimos estratégias, tratamos e formamos opiniões das pessoas, ou propagamos e continuamos o status quo. Assim, corre-se o risco que as inovações incrementais ganhem maior destaque e adesão do que as disruptivas. Ou seja, incorro no mesmo erro e projeto: Para onde irá o nosso futuro e nossa capacidade de sonhar? O excesso de presente machuca nossa capacidade de imaginar, buscar e construir futuros.
Então, me pergunto: o que leremos?
Temos que estimular mais nossa capacidade em buscar, viver e construir coisas futuros e coisas boas. 

quarta-feira, setembro 17, 2014

Quem disse que ser autentico é bom?

Sabe, me deparei com alguns possíveis indícios - em minha interpretação, do que psicólogos e o Wally Olins falou, que estamos vivendo: uma crise de autenticidade. Pelas pessoas.

Existe já algum material aí disponível. Não vou me ater a uma opinião, mas o que quero é levantar são fragmentos de uma tentativas de interpretação social.

Então...
Estava eu navegando, esbarrei com algo a respeito de uma matéria na Veja com a Luciana Diniz, que reclamava de uma bolsa Chanel tinha estragado a roupa dela. Pois bem, a gente aprende muito sobre as pessoas lendo os comentários  nas matéria. E me chamaram a atenção dois comentários (e a repercussão deles abaixo). Estes:




Pois bem, sem entrar no mérito de estar certa ou não. Se é uma pessoas raivosa ou não. Ou "não entrou na zoeira". Ela levantou questões importantes sobre até que ponto criamos vínculos com um imaginário que nos cerca porque não aceitamos, nossa atual condição e nossa condição.

Depois me deparei com esta matéria chocante e escabrosa:
"A menina atribui à “inveja” dos selfies que posta no Facebook a ira da agressora:— Tirar fotos era meu passatempo, mas agora tenho vergonha do meu rosto e medo de despertar raiva nas pessoas."
"Num caso parecido em Florianópolis, além de dar socos e chutes em uma estudante de 13 anos, duas jovens cortaram o cabelo dela em frente à Escola Estadual Padre Anchieta, no bairro de Agronômica, no fim do mês passado. O vídeo da agressão circulou pelas redes sociais. Enquanto uma adolescente segurava o cabelo da vítima, outra fazia os cortes."
"— Muita gente fica rindo — relata a mãe, Edineia Demarco, para quem a agressão foi motivada pela beleza da menina. — Falaram que Ágatha andava de nariz empinado, mas isso é inveja. Por que mais teriam arranhado todo o rosto dela e cortado o cabelo?" 
"A insegurança típica do adolescente — sobre o próprio corpo e as relações sociais — ainda é um fator que intensifica a reação do indivíduo à inveja e pode levar o jovem a ter uma resposta agressiva à pressão para corresponder ao ideal de beleza. "  
Não vou pôr as inúmeras matérias que com assuntos parecidos. Nem as que tocam na espetacularização da violência -que gostam de tocar na ferida e coçá-la, mas vou refletir no porquê. Sem falar nos crimes bárbaros contra homossexuais que nas ruas têm acontecido.

Pois bem...
Essa modernidade líquida tem nos provocado que sensações afinal? Que condições elas têm nos impostos? Que novas pressões estamos vivendo para ser hoje em dia? Por que está difícil mostrar nossas qualidades? Por que está difícil tentar mostrar uma parte boa de nós? Será que a solução é se nivelar para sobreviver?

Se querer, isto me fez lembrar diretamente um filme sensacional com a exuberante Monica Belluci - Malena, cuja uma cidade inteira maltrata uma mulher pela sua excessiva beleza.




Situações diferentes? Certamente. Mas o que quero tocar é o porquê, não o que e o como. As brigas sempre existiram, mas os motivos ainda são os mesmos? A inveja sempre será a mesma? O que é a inveja? Ela está mais acentuada e exacerbada atualmente? A inveja é a incapacidade de sermos resilientes e reconhecer nossos erros e falhas e culpamos o outro? Não sei. Se beleza fosse condição de sucesso, Bill Gates ou Carlos Slim estariam fritos, sem falar no dono do Alibaba.

Desdobramentos...
Talvez hoje estejamos vivendo uma dificuldade em reconhecer nossas condições atuais -de sermos e sustentarmos quem nós realmente somos - seja financeiramente, sexualmente, socialmente ou ideologicamente. Bauman me ajudaria muito a tentar responder essas questões. 

Será que está difícil manter uma "autenticidade autêntica"porque o mundo toda hora muda? É o zeigsteist. Talvez tenhamos que cada vez mais construir uma autenticidade camuflada para sermos aceitos, ou seja, o "sermos legais com todo mundo" parece ser nossa condição de sobrevivência, mesmo que com pessoas erradas. É a condição da complexidade constante das nossas vidas. Vide a condição da política no Brasil como a "democracia de coalização" se reforça cada dia mais.  

O "liga o foda-se " vem parecendo ser uma saída para essas agruras. Para mostrar ao mundo nossos reais eus. Nossas verdades, com opiniões convictas e falhas. Mas será mesmo? O ser feliz é ser indiferente e alheio ou "fazer o que tem que ser feito"? Como também penso se o sentimento romântico do "Carpe Dien" ainda faz sentido quando o hoje está falsificado pela nossa busca incessante de aprovação e reconhecimento da sociedade. Cujo ao final do dia projetamos nossa felicidade em fotos pra provocar inveja ou termos mais likes. Até que ponto "viver o hoje intensamente" é verdadeiro com nós mesmos? Se nossa intolerância ao novo, ao diferente, ao melhor que nós está cada vez menor e inconsequente, onde ao final do dia postamos fotos provocando outras pessoas com "eu moro onde você passa férias" ou "Isso é pra você." ou "Que vida dura?!"? A real autenticidade em viver o Carpe Dien me parece diluída na nossa projeção da felicidade espontânea e instantânea, porquê esquecemos ou não nos foi ensinado como sermos ou buscamos a felicidade porque nunca pensamos sobre nós mesmos, nossos valores e nossos objetivos. Talvez seja mais um problema de motivação e re-valorização social. 

Suspeitas...
A resposta a isso talvez seja pela educação, que é o viés mais crível que sustento. Uma sociedade com mais educação reflete mais sobre sua religiosidade, felicidade, valores sociais, empatia e autoconsciência. Será que estas cenas encontraríamos em países como Escócia, Finlândia, Holanda? Talvez a inveja sempre haverá por fazer parte intrínseca de um incômodo humano, mas a ação provocada diante do sentimento da inveja seja diferente, creio. O debate filosófico entra em outro patamar. Quanto também imagino por uma melhor distribuição de renda. Porque acho difícil copiarmos o modelo do Butão de país mais feliz do mundo, mesmo lá as pessoas não tendo condições financeiras extremamente saudáveis.


Estamos mais intolerantes porque estamos menos empáticos. Estamos menos felizes porque nos doamos menos às pessoas, aos projetos e a nós mesmos, porque temos medo do "vai que". Parece que vivemos uma guerra constante em sufocar nossas crianças internas, nossas falhas, nossa feiura, nosso "estou pobre financeiramente hoje" e dando vazão ao "sorte a dele" ao "é tudo ladrão" ao "é tudo vagabunda" ou "tudo do mesmo saco". Hoje temos mais certezas porque optamos não pensar mais no outro.

Isto tudo me faz refletir o quão realmente estamos vivendo numa crise de autenticidade porque nós mesmos temos dificuldade em (con)viver com o que somos, porquê não aceitamos quem somos, porque os outros também não aceitam. Porque 'o certo' parece ser muito contextual e migratório. Onde isso vai parar? Ou em sociedades que buscam soluções e debates, ou em sociedades que se digladiam entre si.

Descobrirmos que somos não é se fechar em quem nós realmente somos hoje, mas em aceitar que somos passíveis de mudanças porque nosso eu é evolutivo. Nossa inconstância tá sendo tanto de opiniões quanto de atitudes. Podemos ter diferentes opiniões, mas a atitude em reconhecer a opinião (a condição social, a sexualidade, a ideologia e o outro) diferente vem sendo fragilizada pela nossa busca constante em representar alguma coisa para alguém em algum momento para no fundo, nos sentirmos melhores com nós mesmos.

Isso vai acabar? Acredito que não. Mas o debate certamente evoluiu quanto a sociedade evoluiu nos últimos 30 anos. Resquícios existirão? Sim, mas como lidar com aquela invejinha? Que tal se perguntar: Será que preciso ser como ela/ele? O que me provocou me sentir assim? Onde posso melhorar no meu próprio mundo? 

Assim...
Se estamos nos tornando uma "Geração de Instagramers" que só guarda boas memórias, para quem essas memórias estão sendo expostas? Para você se lembrar no futuro ou para apenas ganhar seu reconhecimento hoje? Sermos autêntico pre-escreve uma revisão de valores para criar condições de ações íntegras com nosso ser, mesmo que erremos. A resposta ao erro será baseada em nossos valores. Então: Quais valores estamos perpetuando em nossos contatos com os outros? Afinal "Não devemos permitir que alguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz." Ok, se o outro está melhor que nós, porque não pensarmos e usarmos nossas qualidades em busca dos nossos reais sonhos? Aí entra outro assunto: Qual o seu propósito? E por quê?

segunda-feira, abril 28, 2014

Marcas serão mais vulneráveis no futuro?

Desculpe a ausência estes longos dias. Aconteceram algumas viagens e algumas coisas que fizeram a gente se distanciar de escrever. Pois bem, o bom é que não parei de ler ao menos.

Atualmente lendo, relendo e pinçando páginas no livro muito interessante da Brene Brown, A Arte da Imperfeição (leia mais aqui), me deparei pensando questionamentos sobre o futuro do relacionamento das marcas e algum de nossos sentimentos mais comuns hoje.

A BUSCA PELA ACEITAÇÃO
Brene estudou durante mais de 3 anos sobre temas como vergonha, falhas, amor e coragem. Entre varias partes ela escreve isso:
"A raiz da palavra coragem é cor, a palavra em latim para coração. Em uma de suas formas mais antigas, a palavra coragem tinha uma definição muito diferente da que temos hoje. Coragem originalmente significava "falar o que se pensa abrindo o coração." Com o tempo essa definição mudou, e hoje, coragem é sinônimo de heroísmo. Heroismo é importante e certamente precisamos de heróis, mas acho que perdemos contato com a idéia de que falar honesta e abertamente sobre quem somos, o que sentimos e nossas experiências (Boas e ruins) é a definição de coragem. Coragem comum diz respeito a arriscar nossa vulnerabilidade." 
Isto me fez lembrar um comentário ontem assistindo Manhattan Connection (veja a parte mencionada aqui - a partir dos 7:00), cujo foi apresentado uma pesquisa feita pela Revista Time, sobre as pessoas mais influentes e admiradas hoje em dia, são em sua grande maioria artistas (27 pessoas), mais do que políticos e empresários (17 pessoas). Ou seja, as pessoas mais influentes são aquelas que tem o poder da opinião e são ouvidas pelo que elas são e produzem coisas "à sua cara" e seu poder de mudança. 


Então, ligado a uma época onde a vulnerabilidade, a arte, os bons exemplos, a transparência têm ganho maiores ares no debate social e nas mudanças de leis. Vide o marco civil. Fico pensando sobre o porquê adoramos justamente aqueles que nos fazem nos sentir bem, e nos inspiram (como artistas) e o quanto em nossas decisões e relacionamentos empresariais respeitamos estes porquês (compostos de valores e crenças) com nossos funcionários e acordos e vendas. Será aquilo que nos faz gostar daquele artista, conseguimos ver em nós, praticar com outros departamentos e lidar com nossos superiores?

Fiquei pensando que as marcas são/têm se tornado e sempre foram próteses psicológicas sobre nossa relação com o mundo. Por representarem projeções de extensões cerebrais e comportamentais aspiracionais que almejamos e buscamos resolver em nossas vidas. Mas o que me chama a atenção é. Para ser uma marca admirada não basta hoje mais contratar mega-celebridades para suas marcas e criar sua própria personalidade colada nelas, com testemunhais ou uso de seu poder de imagem, como o Vice-Presidente de Criação e Planejamento da NBS, André Lima, comentou na Veja desta semana: "O espectador hoje quer história. Famoso por si só não segura mais." Falando que as pessoas hoje em dia não estão mais interessadas no modelo testemunhal das propagandas, mas no modelo autodepreciativo dos garotos-propagandas que as marcas têm assumido. 

Pois bem, dito isso, fico pensando o quão as marcas, e por assim dizer, as pessoas, gerentes e funcionários que compõem e teoricamente pensam e vivem aquele propósito (quando por isso contratados), não se tem envergonha quando estão dentro da empresa e erram, ou se têm vontade de arriscar idéias. Será que o julgamento do "falar o que se pensa abrindo o coração" é possível hoje em dia? Se abrirmos para este tema, entraremos na capacidade de autonomia e Empowerment nas empresas hoje que deixo para outro post. Estamos vivendo a nossa verdade, ou a verdade vendida para nós?

A CULTURA
Brene nos entrega mais duas pérolas: 
"Quando praticamos compaixão, podemos esperar a experiencia do medo da nossa dor. A prática da compaixão é ousada. Ela envolve aprender a relaxar e nos permitirmos chegar perto daquilo que nos amedronta.";
"a aceitação é o cerne da compaixão. Quanto melhores formos em nos aceitar e aceitar os outros, mais compassivos nos tornamos. Bem, é difícil aceitar pessoas que esteja tirando vantagem de nós e nos magoando...se realmente desejamos praticar compaixão, temos que começar por estabelecer limites e responsabilizar as pessoas por seu comportamento."
Ambas são passagens que me fazem lembrar que a capacidade das empresas em se moldar ao que o mercado quer prejudica a própria identidade da marca. O próprio eu da marca.

Baseado nisso me fez pensar numa provocação ontem:  
"Muitas marcas tentam, insistem e procuram assumir uma face e uma relação e exposição mais humanas na mídia. Agora ser humana, é assumir traços de personalidades que são individuais, esquisitos, únicos e as vezes frágeis, como qualquer ser humano. Agora, as marcas estão dispostas a se assumirem autodepreciativas ou elas 'vendem' a autodepreciação apenas como traço social inclusivo?" 
E afirmo que ainda não tenho a resposta. Fico pensando se o que as marcas que querem fazer um atendimento humano estão criando uma ponte para se tornarem realmente mais próximas no desenvolvimento de produtos, serviços e experiências, ou só estão atendendo a uma exigência social atual.Ou seja, apenas o que se é esperado, afinal, são pessoas do outro lado.
  
Carisma é um argumento de vendas e Relacionamento. É importante, mas o que realmente entrega são nossos produtos, serviços e experiências. Então, ser autêntico hoje em dia, venho refletindo, é mais do que criar um universo (perfeito) à lá Facebook através da publicidade e assessoria, mas sim, se comportar em crises internas e públicas com humanidade, reconhecendo e gerenciando os erros (quando verdadeiros) aceitando-os. Mas também criar uma cultura de aceitação interna baseado em modelos de colaboração e performance com base em especificações individuais. Penso que só assim, podemos buscar a inovação constante como maneira de se tornar relevantes. Já que ela nascerá de pessoas que conseguem se pôr no lugar dos outros e trabalham por algo maior. A relevância hoje é a capacidade de se manter atual e antecipar exigências e vontades, dos mais diversos públicos ou do público-alvo querido. 

E O FUTURO SERÁ DA VULNERABILIDADE?
Marcas terão mais compaixão no futuro? Elas terão a partir do momento que se aceitarem mais. Se aceitar é saber que não são capazes de moldar a totalidade e assim buscar a colaboração e co-criação nas mais diversas camadas estratégicas. Praticar a compaixão passará pela capacidade de conviver com a vulnerabilidade e a gerência das recompensas e punições pós erro. 

Nosso heroísmo atual, poderá ser modificado pela nossa capacidade de criar sociedades melhor estabelecidas, cidadãs e respeitosas com nosso ecossistema (social, político e econômico), porque respeitaremos cada um como o é. Isto é a maior coragem hoje em dia. Por isso me pergunto se o uso de arquétipos ainda é/será necessário mais pra frente.

As marcas conseguirão ter permissão pra serem vulneráveis? Então, as marcas devem acreditar nelas mesmas para se sentirem mais valiosas. Parece o princípio básico do posicionamento, onde nos colocamos de uma maneira para sermos aceitos. Pensando desta maneira, talvez os próximos passos da evolução do branding serão marcas melhores posicionadas (respeitando-se não pelas suas competências nem pela sua essência apenas, mas pelo seu propósito) valorizando suas principais crenças, voltadas para quem elas são realmente e não como querem ser vistas. Marcas serão mais vulneráveis no futuro? Provavelmente serão e sua fase de criação de produtos será cada mais profunda. A inovação e criatividade nos impõem estarmos vulneráveis, então o futuro será cada vez mais incerto? Acredito que sim. 

Parafraseando o subtítulo do livro da Brene "abandone a pessoa que você acha que deve ser e seja você mesmo". Marcas devem parar de projetar pro mercado e acharem que só terão "valor" se se mostrarem e seguirem tais e tais passos, e depois reclamarem este "valor" através de uma transação comercial. Assim, penso que as marcas do futuro, não buscarão ajustamento e aprovação social, mas que isso não exclui elas de se promoverem. Mas sim, serão orientadas mais ainda pelo que ela é e não pela vontade do que elas querem ser. A coragem da imperfeição determinarão as marcas do futuro.


fonte: http://www.findyourbeauty.ca/2013/06/14/my-vulnerability-hangover/

sábado, maio 19, 2012

Nossa essência é sustentável?


Reflexão
Venho pensando já há algum tempo sobre meu desejo e missão profissional, coisa que perpassa pela minha busca (sou de Natal e voltei para São Paulo para trabalhar com Branding) pessoal e profissional. A conclusão que chego, deverá sempre mudar ou evoluir, sendo que no fundo o que quero oferecer às pessoas e empresas é "riqueza espiritual e riqueza financeira". Sobretudo é:  propor e realmente construir significados positivos nas vidas das pessoas, da relação empresa-sociedade-funcionário.


Empresas são feitas de pessoas. Essas pessoas seguem ordens para produzirem para o mercado. O mercado devolve em forma de competitividade. Como você deve devolver? Através de inovação. Contudo a inovação por si só sem uma verdadeira "verdade" não causará impacto hoje, mas médio-longo prazo fazendo quedas de preços, perca de competitividade, estresses de trabalho, demissões. Então, contrata um consultor que faz um resizing, dá um  gás, demite uma galera e põe no eixo novamente a empresa. Para depois - se não for bem planejado e estudo, voltar a fazer isso daqui a 10,15 anos? 

A percepção aqui que quero levantar é que "quando criamos uma cultura que valoriza bombeiros, estimulamos a criação de ateadores-de-fogo" (Edgar Schein). Aprendemos a valorizar na dor, no sofrimento etc. É o que ocorre na vida inteira das pessoas, mas será que não poderíamos criar um guideline, ou um "mais ou menos por aqui" coerente com quem nós somos para casar expectativas do mercado, fazer comunicação menos efêmera e fazer produtos e serviços estudados e criados para o usuário?

Resgate
O processo de branding é puramente o resgate (ou escavação) do real significado, muitas vezes escondido no fundo do inconsciente do fundador, do board, das pessoas que ajudaram a construir uma organização, e como Dov Seidman fala "A missão e o propósito estão enraizados em significado e em valores sustentáveis.", qualquer tipo de resgate vai passar por um sentimento (o motivo daquele estalo principal), do qual deu o clique na mente do fundador para criar a empresa e ser um empreendedor. Aquilo lá no fundo tem um componente humano que sempre estará na sociedade e nas vidas das pessoas. É sustentável e se tornou rentável tangibilizado nos produtos e serviços. Lembra-se da frase: "O olho do dono que engorda o boi?", é por aí.

Agora, o estalo em si pode ser uma oportunidade naquele momento do empreendedor, mas o que está por trás é que é importante. E é isso que muitas vezes nas empresas foi esquecido. Pressões do mercado, decisões oportunistas, regulamentações, dívidas, falta de foco, 'respostas ao mercado com produtos com baixa inovação', baixa rentabilidade para os acionistas, essas e inúmeras questões afastam as empresas (e pessoas) do seu core, da sua essência. As vezes não dá para ser puramente essência, podemos incorrer desvios - como no ser humanos, mas se tivermos gravado será mais fácil 'voltar das tentações mercadológicas' ou solucionar os problemas.

Voltando ao que andava pensando. Penso que o que eu quero mesmo é passar e ver lá na frente que ao mudar (ou resgatar) empresas e seus significados, consegui ressignificar a vida das pessoas. A minha preocupação é com o cara auxiliar do auxiliar, do gerente, do assistente, essas pessoas que muitas vezes não tem o poder da decisão dos decision makers, mas encontram forças para ir trabalhar todos os dias naquela empresa, pelos mais diversos motivos. Que muitas vezes se estressa no trabalho, desconta no filho que sei lá, o menino fica traumatizado...sabe. É loucura, mas é um ciclo de acontecimentos que se encadeiam, seja pelo trabalho, trânsito, dinheiro etc. Estas pessoas, como porquê não os decision makers, que podem estar sentindo falta de falar de pessoas quando se fala apenas em números. 

O que quero é mostrar para essas pessoas de forma imaginária ou não, é que a empresa que ela trabalha não é necessariamente "mais uma" (por mais que possam existir - e tem, no mercado), mas sim, incutir a mentalidade de que ele é parte de um projeto que lá na velhice ele possa dizer: "Puxa eu fiz isso, naquela empresa legal, com gente bacana." Este sentimento utópico passa pelo acreditar, pelo buy-in do Board, que precisa imergir e sentir que fazer parte de um mundo conectado, voltado ao usuário, responsável e social, não é discurso efêmero e de 'gente boa'. Política ganha-ganha-ganha, pode ser uma realidade. Por que não sentamos todos para fazer com que ganhemos todos muito dinheiro?

Nesta linha que surgem novos tipos de abordagens de pesquisa como as etnográficas, entrevistas contextuais, co-criação, prototipação entre tantas outras que buscam entender verdades, sejam em produtos ou serviços e porque não em culturas?! 

Ressurgimento
Quando fazemos projeções ao passado, desde as mais simples "ah, no passado era assim...", revisitamos sensações do passado que estão esquecidas e fazer isso puramente é um exercício para valorizar coisas do passado no presente - me abstendo de qualquer juízo de valor para essas lembranças, a gente volta ao passado. Parece história de regressão, mas é apenas uma das maneiras de entender a história da empresa.

Ao fazer essa reflexão aqueles que decidem projetam, lembram de histórias, de sensações, de acontecimentos, de comentários, de recomendações... etc que ajudaram criar aquela mini-startup se tornar a mega empresa hoje, enxergam que podem dar continuidade mais claramente quando confrontados coma realidade, àquele sonho. Muitas vezes observar isso é mais claramente em empresas familiares.

Enfim, o que quero de uma certa maneira levantar é que muitas vezes, entramos e saímos de lugares, quando as vezes sabemos apenas apertar aquele botão, sem saber o porquê de estarmos ali. Somos apenas movidos por: "Preciso pagar as contas", "estou endividado", "preciso fazer aquela viagem", não que estas sensações são ruins, são bons estimulantes, mas que exista algo mais profundo, de querer pertencer. Incutir a idéia de que caso a pessoa seja demitida, ela leve no seu 'pacote de percepções' além do "eu fiz o que estava ao meu alcance", também o "foi bom trabalhar naquela empresa". Essa gratificação é o reconhecimento de que você produziu coisas importantes ao lado de pessoas com compaixão, competentes e resilientes. 

Conclusão
Por isso que acredito muito em UX (user experience), design thinking, service design e branding, como disciplinas de estudo do usuário como instrumento de construção de novos usuários. Analisar, Idear e Prototipar o hoje para construir melhores betas amanhã. A evolução só surge quando revisitamos o presente, com experiências e conhecimento do passado, para projetar e executar futuros.

Assim, levar a riqueza espiritual e financeira (meio piegas né), passa por ao resgatar experiências, sensações do passado, possamos incutir no presente (e ao longo do aprendizado da empresa) melhores percepções condutoras de inovações, de produtos, de serviços ou pessoais/de superação. Porém, passando pelo ambientes de trabalho. 

"Ajudar empresas a se enxergarem para construir melhores futuros significativos, sociais e inovadores.", se fosse arriscar seria algo assim. Certamente isso vai mudar daqui a alguns anos, mas o conceito geral seria isso. No fundo é re-enxergar o que tem de melhor, que toda empresa tem, mas processos, mercado, rotina, ambiente pouco criativo, pobreza de líderes, impedem de chegar a este núcleo. Se chegar pelo menos a 20% do que penso, já sentirei realizado.

imagens: google images

domingo, janeiro 29, 2012

Exigir sem pensar e sentir.

Muitas empresas exigem muito do funcionário, muito mais do que o normal. (Tudo bem, é a vida capitalista.) Colocam ele fora da 'zona de conforto'. Forçam ele a encarar e saber lidar com os seus próprios medos. Esmagam-o com a força da pressão. Isso é bom? De certo modo sim. O que quero levantar aqui é o: Para onde estamos indo? Você fica sabendo sobre as informações e perspectivas da empresa?
Muitas vezes corremos feitos loucos e não sabemos onde estamos indo, não sabemos nem a estratégia da empresa, nem a importância direito do seu setor. Temos uma dúzia de indicadores para monitorar dia-dia - nos BSC da vida, e as vezes nem sabemos se estamos destinando energia daqueles 20 indicadores se vão fazer diferença ou é apenas "norma da empresa". Alinhamento não é apenas mandar um guideline para o gerente e diz: lê aí.
Faça um exercício. Imagine que sua empresa está quase falindo, todo mundo indo embora. Você no prejuízo...etc. Você tem que reverter o jogo, pense em: "Quais são os REAIS indicadores que fazem diferença no seu negócio (ou setor/unidade)?". O que faz girar e ter estabilidade. Cite 3 indispensáveis. Dizem que o ideal gira em torno de 7. Este é o pensamento reverso que Warren Buffet faz quando investe em empresas e exige retorno delas. Daí você percebe o que realmente é importante e o que é 'norma'.
Voltando. As empresas exigem do empregado, trazem a pressão do mercado para dentro da empresa (isso é bom), colocam quadro de performance na parede (também pode ser bom até certo ponto), gritam, berram (...) etc. (se identificou?) Pois bem, ao mesmo tempo ouvimos que "cada um tem que ser auto-motivado", que "o funcionário tem que ter metas para dentro da empresa", que "temos que inovar, liderar...". Este é o cenário que encontramos e percebemos em livros e blogs e no mercado nas grandes empresas.
Tudo é favorável. Todas essas medidas são importantes porque crescemos melhor quando bem estimulados, mesmo que na pressão. Nisso, é importante entender que sem um destino 'comprado' pelos funcionários, isto pode gerar apenas ansiedade, medo e tentativa de cortar custos. Fora conflitos de interesses etc. Ao invés de riqueza, tensão. Ao invés de senso de urgência, sendo de terror.
Contudo quero levantar a questão aqui: Sua empresa (que você trabalha) que está em um mercado altamente competitivo - se não está logo estará, exige de você RAPIDEZ e CRIATIVIDADE SEMPRE, ponto comum. Porém primeiro ponto: VOCÊ SABE PELO QUE VOCÊ ESTÁ SUANDO? Quais são OS VALORES DA EMPRESA (CORE VALUES)? QUAL A MISSÃO DA EMPRESA? QUAL O MOTIVO ESSENCIAL DELA EXISTIR? Existe isso forte e claro para todos? Você foi perguntado quais valores você entende e aplica?

Segundo ponto
: Você sabe até onde pode ir? A empresa quer que você inove, mas você conhece as limitações? O que pode acontecer se você não inovar? Você é despedido? O que a empresa sofre se você não conseguir fazer o seu trabalho? Quais são os guias estratégicos do que não fazer? Aquilo que existem para que você não faça o que ninguém quer que você faça?

No Google os executivos devem gastar pelo menos 20% do tempo em projetos paralelos fora de sua área de responsabilidade. Porém, o projeto tem premissas, antes de ser apresentado, senão é logo matado:

*O projeto deve ser popular com os consumidores? 
*É capaz de atrair outros funcionários a trabalhar nele?
*Resolve algum grande problema?
*Alinha-se com metas internas? 
Terceiro ponto: o mundo te exige, mas a empresa te fornece AMBIENTE ONDE TODOS ESTÃO COMPROMETIDOS COM O SUCESSO - OU MELHOR, COM A CAUSA? A empresa te força, mas ela te dá ambiente para isso? Ela te pergunta onde pode melhorar? 

Faço essas perguntas provocativas (e não são desabafos), puramente para levantar a questão que
em um mercado onde a pressão impera, a busca por uma causa, por uma verdade interna de cada um, por entregar realmente o que funcionário quer, olhando pela ótica dele é tão importante quanto ter lucro ao final do mês. Por que é possível termos um produto commoditizado, mas você pode pagar o ônus de ter um funcionário commoditizando sua motivação.

Estímulos

*Estimular a inovação é importante, mas temos que dar subsídios estruturais. 

*Provocar com que as pessoas saiam da zona de conforto é importante até para o crescimento pessoal, mas forneça-lhes, encante, mostre, pergunte, troque-bola com elas, sobre sua causa e melhorias. Ele tem que acreditar! 

*Todos nós somos criativos! Tem uma frase do Jim Collins (ou Peter Drucker) que eu gosto muito: "A função da empresa é não desestimular o funcionário." Contudo, acredito que todo mundo deveria ter um coach ou um setor de rh envolvido à disposição na empresa para os funcionários se consultarem e alinharem-se. Foco em melhores funcionários ou melhores funcionários focados? Mostre o foco para eles, mas conheça qual os deles. (Recomendo a leitura do post Pensamento Alinhado

Lembro de uma frase que li numa passagem em Seven Strategy Questions  que poderia concluir este post
"If your core values are providing guidance, you won´t have any difficulty telling stories of situations where they have determined people´s decisions. If you can´t easily find such stories, then your values are not doing their job." /"Se seus valores fundamentais estão fornecendo orientação, você não terá qualquer dificuldade de contar histórias de situações em que eles determinaram as decisões das pessoas. Se você não consegue encontrar facilmente tais histórias, então seus valores não estão fazendo seu trabalho."

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Publicidade Emocional versus Racional e sua efetividade

"As emoções são os lubrificantes da razão e da resposta emocional provocada pela violação da expectativa dos nossos modelos cognitivos que nos reconstroem, formando memórias." Faris Yakob - Ex- Chief Technology Strategist at McCann Erickson New York.

Este pode ser um indicativo que aponta que propagandas emocionais podem vender mais do que propagandas com cunho racional.

Em um relatório que saiu na JAR Jornal Advertising Researsch, em 2009 - entidade que procura fazer pesquisa sobre efeitos da publicidade, midia e consumidores. Publicou um estudo após uma pesquisa com mais de 880 relatório de agências inscritas no IPA Effectiveness Awards - que premia agências que geram resultado aos clientes. 

Foi possível tirar diversas conclusões ou indícios sobre: Como a propaganda poderia funcionar ou sobre Como a propaganda pode dar melhores retornos para a marca. O nome do estudo é Empirical Generalizations about Advertising Campaign Success que pode ser baixado aqui.Um dos indicamentos mais interessantes foi: 

"The most effective advertisements of all are those with little or no rational content." Les Binet/Peter Field

O que isto nos leva a pensar? Que propagandas de varejo com ditam o preço não funcionam? Não teria essa certeza, mas penso que: Dizer "Baixou 70%" acharia mais efetivo do que dizer "Custa R$299,00". Por que mexeria com uma informação desconhecida. No entanto, a pesquisa indicou também que:

"Campaigns that aim to reduce price sensitivity are more effective than campaigns that aim to increase sales or market share."

Estes dois indícios são interessantes pelo fato de que, diante de: um cenário cada vez mais incerto, mudança de controle, consumidores mais exigentes e portanto mais espertos e com senso crítico apurado, mundo isolado, ROI e auto-procura pela própria imagem em marcas. O uso de "emocionalidade" pode abrir bolsos e memórias de forma mais longa e duradoura.

Estes dados, apesar de "antigos" de 2009 (acredito que ainda muito atuais), podem ser esclarecedores para alguns e criar dúvidas em outros. Nâo sei se podemos adotar isso realmente como dogma ou se há variabilidade cultural de país para país. Drayton Bird, diz: "As mídias mudas, mas as pessoas não." Fato é que a busca por melhores resultados e melhores entendimentos sobre a efetividade, eficácia e eficiência da publicidade continua. 

A partir de estudos como esse que podem nos ajudar a diferenciar ações estratégicas e planejamentos mais emocionais (ou racionais). 

No entanto, acho que isto se complementa cada vez mais no cenário atual que vivemos. Basta ver o post anterior sobre o Marketing 3.0, onde Philip Kotler faz uma coletânea de tendências para esclarecer que o marketing hoje dança numa tríade: Marketing Espiritual, Marketing Cultural e Marketing Colaborativo.



Inspirado em posts do @farisyakob