terça-feira, janeiro 10, 2012

Social Media e o autoconhecimento

Sabe, de uns tempos para cá venho observando cada vez mais assuntos (muitas vezes desconsideráveis) que tomam proporções no ambiente digital e assim o nosso tempo diariamente quando entramos em mídias sociais. É corrente de animal morto, é de banda ruim, de sucesso de Michel Teló, de paródias sacanas, de mashups razos etc. Engraçado que me parece que isso tudo converge a uma só opinião: Precisamos de algum assunto, precisamos de algo para o que falar. Se não, criamos, mixamos assuntos e voilá, nos tornamos assunto ou provocamos um. Algumas pessoas são quase aquelas revistas sensacionalistas. (Sim, este post será ácido.)


Deixo claro, que salvo exceções não sou adepto a correntes, nem retransmito elas. Porém, tem algumas que surgiram ultimamente como a da CET, ou da PM na USP que são úteis de um certo modo. Mas ao ver a maioria se torna totalmente um profusão de assuntos desnecessários poluindo nossas timelines e diminuindo nosso tempo.


Minha impressão geral é (e isso se reflete muito no Trending Topics) que nós todos (queremos ou) precisamos de um "Cristo" para jogar pedras. Precisamos de assuntos para povoar nossas idas ao trabalho, quando estamos no metrô, no ônibus, no cabelereiro, nos almoços, nas procrastinações...Parece que a liberdade de compartilhar e de livre-conhecimento e acesso fácil à tudo disvitua a capacidade de fazer conjecturas mais profundas e reflexivas. Vide a Sandy e sua liberdade sexual, o caso da Gretchen sendo garçonete, de Michel Teló e seu sucesso, se Restart é uma banda boa ou não e se seus integrantes são homossexuais ou não, Belo Monte..... Exemplos bem mais sensacionalistas e típicos de pauta de revistas sensacionalistas - vide o video-sacana de Rafinha Bastos.


Bem, esse fenômeno da "maldade instantânea" ou da "irresponsabilidade sem consciência", da liberdade de expressão e a capacidade de produção de conteúdo livre, vem produzindo "pautas" que não sobrevivem no nosso intelecto. Hoje o que é que fica na história? Nossa história virou sucessão de tablóides?  Conteúdo efêmero e desnecessário. Assusta-me isso. Afinal, poucos destes assuntos levantas questões importantes para a sociedade: Lembra-se do video do menino (zangief) gordinho cansado de receber bullying?


Arriscando-me a incorrer a apontar desvios psicológicos das pessoas, ao obervar esses fenômenos diariamente na internet e nas mídias sociais só me vem à cabeça que isso tudo me parece uma raiva reprimida (ou inveja) interna de alguma coisa que precisamos de algo para "chutar", maltratar, falar mal, para nos sentirmos melhor ou sermos aceitos. Situação da economia, família desunida, problemas afetivos, desemprego, depressão? São inúmeras as possíveis causas.


A máxima: "Ninguém chuta cachorro morto", me parece bem atual, mas modificado. Hoje os cachorros mudam. Ou pior, nós criamos os cachorros para chutar. Posso estar profundamente enganado, mas prefiro me arriscar mesmo assim.


Esse início longo do post me levanta a lebre de que nós não nos conhecemos profundamente. Agimos pelo instinto da multidão. Defendemos sem profundidade. Ofendemos sem estudar. Lançamos assuntos sem motivo. Compartilhamos no automático. Falta-nos filtro? Pode ser. (Se tivéssemos um filtro no Facebook como o de anúncios indesejáveis só que para correntes?) Falta-nos personalidade? Pode ser. Opinião todos nós temos na internet. Expressamos livremente, mas será que buscamos estudar antes de opinar ou ficamos sabendo apenas pelas frase-títulos dos rss?


Bem, a ideia do post é apenas nos fazer refletir sobre como estamos vivendo e consumindo mídia. Mídia é tempo. Você é o que você lê (ou procura ler). Então, cuidado para não formar (e transformar) sua personalidade e seu jeito único de ser em alguém amargo, ruim, sem profundidade e que opta apenas em enviar "newsletter-negativas" e reclamar. Você pode ser alguém reprimido. Observe-se essa semana. A tecnologia muda, mas as pessoas e suas frustrações e angústias continuam as mesmas. Não alimente e nem crie os seus cachorros. Livre-se deles e dessasm pessoas. Conheça-se.

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