segunda-feira, julho 14, 2008

Comportamento do consumidor de baixa renda

Estudos sobre a maneira como as classes de menor renda gastam seu dinheiro sugerem que as empresas terão de identificar melhor seus novos clientes: são grandes as diferenças de comportamento dentro das classes C, D e E.

Desejos de consumo todo mundo tem, mas a distância entre a vitrine e o caixa da loja, cada consumidor percorre de um jeito.

"Por impulso, não tem jeito!”, diz Nathália Silva, balconista.

"Eu só compro o que precisa!", fala Mário José do Carmo, industriário.

"A marca assim, também é essencial, assim, porque dependendo da marca veste bem a roupa", afirma Tiago Ferreira, auxiliar técnico.

Uma pesquisa sobre os hábitos de consumo dos brasileiros, com renda familiar de até mil reais por mês, mostrou como eles gastam o pouco dinheiro que têm.

Pouco em cada bolso, porque juntos eles somam 86% da população, 160 milhões de pessoas que movimentam mais de R$ 300 bilhões por ano.

É um mercado que interessante qualquer empresa, mas segundo o estudo, ainda pouco conhecido dos estrategistas de vendas.

Normalmente, essa imensa quantidade de compradores em potencial é tratada como "consumidores de baixa renda", como se formassem uma massa uniforme. A pesquisa mostrou que é preciso olhar com mais atenção.

O estudo dividiu os consumidores de baixa renda em cinco grupos.

O primeiro é o dos gastadores. Eles dão valor a marcas e são os mais propensos ao consumo.

Os precavidos têm mais cuidado com o dinheiro. Na hora da compra, usam mais a razão do que a emoção.

O terceiro grupo é o dos endividados. Loucos por crediário que, mesmo com dívidas, estão prontos para novas compras.

Os austeros têm renda parecida com a dos endividados, mas, mantêm as contas em dia, eles não pagam a mais pela marca de um produto.

E os miseráveis que compram muito pouco, por falta de acesso a crédito.

Para o coordenador da pesquisa, conhecer as diferenças destes consumidores e se adaptar a elas pode ser a chave do sucesso de vendas. “É a lição de casa que toda empresa devia fazer antes de ir ao mercado. Você pode fazer pequenos ajustes na sua estratégia e atingir um mercado muito maior do que provavelmente a empresa atinge hoje”, afirma Luis Minoru Shibata, diretor da Ipsus.

Fonte: Jornal da Globo - 09/07/08
via: Arnaldo Rabelo

sexta-feira, julho 11, 2008

Inovação pelo Design Thinking (IDEO) - Harvard Business Review

Saiu na Harvard Business Review, do mês de Junho, um artigo do Tim Brown (Presidente da IDEO), com o tema Design Thinking.
Falo-se sobre a necessidade inerente hoje de uma postura de inovação por parte das empresas e principalmente dos diretores, que detém a postura de decisão, como fator estratégico e social. Citando vários exemplos de como um pensamento interdisciplinar e individual pode ajudar no processo do design e da inovação.

Antes de mais nada, seria interessante apresentar um pouco da IDEO.
É um escritório sediado no Palo Alto, na Califórnia comandado por Tom Kelley (CEO) e por Tim Brown, como presidente. Atende clientes dos mais diversos setores como: Apple, Cisco Systems, Basf, Caterpillar, HBO, Polaroid, Xerox, Sega, Target, Whirlpool, entre outras.

A metodologia que a IDEO, apresenta para seus clientes pode parecer óbvia, mas não é. Ela busca trazer soluções utilizando os próprios meios da empresa, adequando as opiniões com um brainstorm, criando protótipos e muito do lado empírico, conversando com as pessoas envolvidas no processo a ser trabalhado. É colher o máximo de informações pesquisadas com quem entende como forma de apoio para propor coisas novas adotando a abordagem centrada no homem.


Para baixar o artigo da Harvard Business Review de Junho 2008 - aqui (em inglês).


Mudanças de cenários

Atualmente empresas buscam cada vez mais o lucro, o fluxo de caixa permanente e a lealdade de seus clientes, porém muitas e muitas vezes estas empresas esbarram na importância de se ter um pensamento consistente sobre como desenvolver habilidades (ou encontrar essas habilidades) para ter um resultado diferenciador perante os concorrentes.

Hoje existem muitos gurus, ferramentas, tecnologia, disciplinas que estão disponíveis a todos, e dispostas a serem usadas, mas o que acontece muito é a falta de um estudo holístico para observar tendências tecnológicas, tendências de consumo, entre outras. Mudanças de foco sempre podem ocorrer, exemplo: A JVC criou o videocassete, aperfeiçoo-o, foi líder de mercado, ganhou mercado e participação, fazendo-se conhecida, porém não se preocupou em olhar para fora e perceber as mudanças que o cenário e os avanços tecnológicos impunham no seu negócio. Fato é que hoje a JVC, é uma empresa tímida, acanhada frente a concorrência das gigantes Panasonic, Sony Philips, Samsung que outrora tinham uma participação menor no segmento de video (e som) e souberam se reinventar e inovar em seus conceitos. Um exemplo rápido é o investimento contínuo da Samsung em design em seus produtos, como o Monitor de LCD Mobius, desenvolvido recentemente pela IDEO.

E a partir desta percepção de que a diferenciação e a necessidade de uma visão mais holística agregando valores de comunidade, educação de qualidade, biotecnologia, sustentabilidade e respeito ao consumidor, a inovação toma a frente de muitas disciplinas propondo a reestruturação de um modelo já carente de aperfeiçoamentos, para dar lugar a uma perspectiva constante de mudança e reciclagem.

Partindo dessa visão que Tim Brown comenta em seu artigo, a necessidade de perceber que a mudança deve encabeçar primeiramente os executivos e os detentores do fator 'poder de mudança'. Abrindo possibilidades de que todos na empresa participem de um processo que tem a finalidade de sempre deixar lubrificada a engrenagem empresarial.

Conceitos como mídia, stakeholders, branding, design, nunca estiveram tão em evidência no mundo dos negócios sendo disciplinas que só crescem e ganham importância. Elas são um reflexo de que o ser humano e podemos incluir as empresas neste ecossistema, estão procurando se encontrar provocando uma necessidade de transformação nunca vista tão grande quanto hoje. E a busca por soluções empresariais, sociais e ambientais, exige um pensamento inovador por conta dos detentores do 'poder da mudança'. É a era da junção da forma com o conteúdo e, quem estiver apto a traduzir os sinais do futuro, prevalecerá.

Enfim, o mundo hoje perde cada vez mais barreiras demográficas e geográficas, além disso vem se tornando um pequeno espaço de experimentação e interação entre os mais diversos mercados e empresas. E aqueles que não estiverem aptos a entender essa relação, executando através de um raciocínio "racional-emocional-interativo" as necessidades e desejos de desenvolvimento humano e social, poderão entrar na vala mediana da paridade.


Extras:
Aqui / Aqui / Aqui

Microonderia

Uma ótima sacada e totalmente alinhada com o posicionamento de liberdade que a Brastemp tá utilizando em suas campanhas, foi o lançamento do Microonderia. Na primeira vista, você acha que entrou errado no site da Camiseteria (site destinado a venda de camisetas personalizadas, onde o internauta pode enviar para ser votada a sua propria estampa), porém percebendo melhor você observa que se trata de um site e uma campanha publicitária.

O site funciona nos mesmos moldes do site da Camiseteria, um internauta se cadastra no site, envia uma 'estampa', e aquele mais votado, ganhará R$1000 reais, além de um microondas e uma coleção de adesivos para colar no seu microondas.


É uma sacada super interessante e que me faz ressaltar a idéia de que os diretores de marca e marketing, e incluo também a agência, precisam estar bem atentos e integrados com a idéia central da campanha, para sempre propor surgirem idéias bacanas como essa. Cria um vínculo emocional e interativo com o cliente fazendo ele participar de algo maior.

Porém, existe uma questão, todos podem enviar imagens para a votação, porém os mais bonitos, leia-se, com mais talento, provavelmente ganharão os prêmios. Ou seja, é bom saber mexer mais do que o paintbrush.

A ação foi criada pela Espalhe.

quinta-feira, julho 10, 2008

Novo logo sem hífen do Walmart


Walmart, como a partir de agora será chamado a maior rede varejista do mundo. O logotipo ficou mais claro e foi desenvolvido para modificar o posicionamento global que a rede tem, para passar a idéia de uma compra mais consciente, e "...e renovação do senso de ajudar as pessoas a economizar dinheiro e viver melhor", segundo afirma Kevin Gardner, porta-voz da empresa.

Lembra aspectos da época 'web 2.0' com traços mais leves e cores não tão fechadas. Porém ao meu ver, é uma mudança extrema na visão que temos hoje sólida do Wall-Mart. Não gostei particularmente. O posicionamento é uma decisão correta levando em contas fenômenos irreversíveis como a sustentabilidade, a preocupação com as relações sociais (stakeholders) e o avanço das tecnologias, mas o resultado ao meu ver perdeu um pouco daquele 'peso' perceptivo que tínhamos ao ver o logo antigo.

O novo visual foi criado pela Lippincott, de Nova York.

Think

2490366 Na era do imediatismo, louvam-se quem toma decisões rápidas, num piscar de olhos. Agir sem pensar, no entanto, tornou-se uma regra perigosa, como mostra Michael R. LeGault nesta obra instigante. Em "Think! - Por que não tomar decisões num piscar de olhos" o autor afirma a importância da reflexão na tomada de decisões e demonstra o quanto ações impensadas e sem reflexão são maléficas. Ao contrário do que prega Malcom Gladwell em seu Blink, Le Gault defende em Think que não se tomem decisões sem conhecimento factual ou análise crítica. Compre na Cultura.

Fonte: Biz Revolution

Non-Blinking

Um dos filmes que concorreu ao GP em Cannes este ano. Super engraçado.