terça-feira, junho 07, 2011

Como avaliar um anúncio?

Philip Ward Burton e Scott C. Purvis, em "Which ad pulled best?" deram algumas dicas bem interessantes de como você pode avaliar se um anúncio que você ler no jornal, revista ou em alguma mídia é efetivo.
Aí vão algumas dicas:

  1. A mensagem é clara à primeira vista?
  2. O benefício está no título?
  3. A ilustração/foto apóia o título?
  4. A primeira liha do texto apóia ou explica o título e a ilustração? (Lembre-se que lê-se cada vez menos)
  5. O anúncio é facil de ler e entender?
  6. O produto é facilmente identificado?
  7. A marca ou patrocinador estão claramente identificados?
(Eu arriscaria adicionar outros pontos como:
  1. Existem informações que o deixem em contato com a marca? (telefone, site, twitter?)
  2. Você ficou incomodado? Sentiu alguma sensação? Leia-se aqui: prazer, raiva, orgulho, admiração?
  3. Você sentiu vontade de mostrar (de preferência positivamente) este anúncio para outra pessoa?

Isto me lembra uma materia recente no Reclame sobre a criação de anúncios para festival, que o Eugenio Mohallem diz neste video abaixo, onde vivemos uma profusão de anúncios cada vez mais limpos, moldados e referenciados para prêmios.(Ainda) E que muitas vezes não resolve o problemas de clientes no dia-dia:


sábado, maio 28, 2011

O marketing das opções

O novo marketing

O novo marketing (seja o que for que isto signifique) parte da premissa que é um exercício desafiador, ilógico, que requer experimentação contínua, inovação, medição e uma brutal mudança de estratégia. Estamos no começo de uma Era Digital Consumidor-Centrada, na qual as formas tradicionais de contato da marca não oferecem taxas de retorno mais viáveis.

Os consumidores estão no controle. Eles hoje possuem níveis de informação e decisão sobre o consumo de mídia em níveis antes nunca imaginados. Esses novos consumidores não podem ser tratados como uma commodity ou um mero perfil demográfico. Seu engajamento se dá com foco e clareza, para o qual uma nova habilidade precisa ser desenvolvida: a de perceber o que os interessa e o que lhes é relevante.

Nesse cenário, onde o consumidor detém o poder, o único modo de se conseguir fazer isso é criando um link próprio, valioso, útil e exclusivo, entre os atributos da marca e do produto e a vida do consumidor. É um mundo novo.

A nova geração do marketing precisa escolher investir num site de download de música; ou numa campanha que faz uso de mensagens SMS; ou entre comprar mídia numa TV fechada; ou patrocinar um novo canal de vídeos on demand; ou utilizar uma estratégia de links patrocinados; ou usar mídia tradicional…

E aqui está o desafio: Ninguém sabe realmente como tomar estas decisões com sucesso consistente.

Assim, determinar um novo marketing mix eficiente, vai requerer experimentação, tentativas, fracassos, networking, inovação, análises de métricas de retorno, e, principalmente, assumir riscos.

Vi aqui

sexta-feira, maio 27, 2011

Variáveis incontroláveis: a cultura vive da sedução

Ao mesmo tempo em que exigimos empresas sólidas e seguras para resguardar nosso dinheiro, temos atitudes contrárias em nossas relações humanas.

Para abrir uma reflexão sobre como estamos trabalhando, vivendo e atuando nessa “sociedade eletrônica”, começo este post com uma frase do Jim Collins, dita na última Expomanagement, em 2010, em São Paulo: “Se a transformação do ambiente externo às empresas vem sendo provocada por pessoas, a transformação do interno depende delas para acontecer.”

“A cultura vive de sedução, não de regulamentação; de relações públicas e não de controle policial; da criação de novas necessidades, desejos, exigências, não de coerção. Esta nova sociedade é uma sociedade de consumidores”. Palavras ditas pelo sociólogo Pierre Bourdieu, estudioso dos comportamentos sociais, que mostram indícios de uma sociedade cada vez menos sem regras e mais imagética.

Construída com laços fortes com o consumo e o capitalismo desenfreado.

Contudo, diante deste cenário de uma sociedade estimulada por um mercado canibal e incitadora da “obsolescência instantânea” seja de produtos, sejam de desejos, a cultura e a identidade humana acabam se tornando mais um componente de venda neste grande armazém que é o mercado.

Onde clientes – pessoas físicas e empresas, consomem o desejo renovado a cada nova oferta, sempre estimuladas pela sensação de estar levando vantagem em relação a outro. De exclusividade e pertencimento único, mas que é apenas mera momentaniedade provocada.

Enfim, vivemos a obsolescência do sentimento, que tem ansiedade e não espera, apenas cultiva seu desejo por novidades. Em um ciclo de sobrevivência cada vez mais curto. Ou seja, o desejo tem prazo de validade. Como sua beleza e os produtos que você usa.

Isso me faz refletir sobre termos como tradição, solidez e relacionamento. No mesmo sentimento de que exigimos empresas sólidas e seguras que resguardem nosso dinheiro, temos atitudes contrárias em nossas relações humanas.

Como se vivêssemos uma antítese humana entre “exigência e entrega”. Exigimos confiança, mas entregamos pouco dela. Exigimos fidelidade do outro, mas entregamos cada vez menos (com produtos e pessoas). Parece uma liberdade maquiada. Ou será puramente diante de tantas eras: a Era da Desconfiança?

A capacidade de “durar” hoje é pouca, como é cada vez menor a capacidade de se amar e ter sentimentos. São paixões instantâneas. Porque o gosto em se “jogar fora” ou “liberdade” em tomar suas próprias atitudes se torna tão latente e visível seja nos produtos, seja nas relações humanas, que o tempo para se criar significado perde-se. Ser descartado ou avaliado com altos graus de exigência é cada vez mais comum.

Neste contexto, o esquecimento se torna um componente da nossa sociedade. Esquecer é importante, para dar vazão às novas “tendências” ou “modismos”. Justamente esta falsa liberdade em se aprender e a esquecer o antigo. Talvez uma busca por uma identidade esquecida, ou
adormecida ou inventada.

Diante deste mundo repleto de incertezas e caminhos e variáveis, Zygmunt Bauman sociólogo polonês pergunta: Você vale tanto quanto o seu último sucesso? Uma vez que a capacidade de abandonar os seus últimos hábitos é mais importante que o aprendizado de novos. E a incerteza do novo sucesso vem da incerteza de novos cenários.

Assim, diante da frase de Collins, e as variáveis externas, vale compreender que as empresas se tornam co-autoras dessas mudanças que podem se perder diante de “suas criações”. Este pensamento é importante para compreender o nosso real papel como profissionais de marketing e de propaganda, ao utilizar de slogans e conceitos para campanhas.

Talvez estamos criando, ou estivemos criando “monstros” (ou reflexos na sociedade), que hoje chamamos de “variáveis incontroláveis”.

Pensemos melhor a cada nova campanha ou criação de produto para que o ciclo não se repita ou possamos aprender com o externo tanto quanto com nossas empresas.

Este meu texto também saiu no Webinsider

quarta-feira, maio 18, 2011

Dicas para quando você for um chefe

Bob Sutton é um estudioso das relações humanas e do ambiente corporativo, mais especificamente a relação chefe-funcionário. Em um artigo na HSM Management de Abril, ele citou algumas coisas que me chamaram a atenção:




  • Para ser um grande hefe, você tem de constantemente perguntar e tentar responder a muitas perguntas. Talvez a mais crucial: "Como é trabalhar para mim?"
  • Os chefes mais eficazes dedicam esforços para compreender como seus humores, habilidades, indiciossiocracias e ações afetam o desempenho e a humanidade na equipe.
  • Os melhores chefes criam, copiam e implementam maneiras de reduzir a carga mental e emocional de seus funcionários e os protegem de incompetência, ignorância e julgamentos de outros chefes.
  • Atribua crédito às pessoas.
  • Você (chefe) sempre é observado. As pessoas vão até usar as mesmas roupas que você. Utilize ao seu favor de forma prudente
  • Fale mais do que os outros, mas não o tempo todo
  • Interrompa ocasionalmente e não deixe que os outros o interrompam demais
  • Use palavras positivas ao falar consigo mesmo
  • Use um pouco de raiva de vez em quando - 
  • Ceda algum poder ou status e certifique-se de que todos saibam que você fez isso voluntariamente

terça-feira, maio 17, 2011

A ética e a estética: dois elos

Ética e Estética são Indissociáveis A professora especialista em luxo, Elyette Roux, diz que sim, “…que a estética é a maneira original, própria , de organizar o mundo do sensível de modo a comunicar uma emoção que traduz a visão de mundo do criador, isto é, sua ética. É nisso que ética e estética estão ligadas.” e exemplifica com chanel que mostrou “através de suas criações, sua concepção da moda e da mulher (dimensão ética) e qual foi sua maneira única de organizar o universo sensível por uma silhueta particularmente reconhecível (dimensão estética).” 


Na mesma época, século 21, a jornalista do new york times, Virginia Postrel, publicou “the substance of style” com um subtítulo intrigante: “how the rise of aesthetic value is remaking commerce, culture & consciousness”. Ela diz que a substância (ética) do estilo (estética) não depende do criador mas do público que vai julgar o que é belo. Depois de estudar muito nossa época, virginia é categórica ao afirmar que a estética está ganhando valor como um experiência independente da intenção que a originou. assim, em grande estilo, ela chuta o pau da barraca que abriga os críticos que se dizem saber o que é belo no mundo da arquitetura, do design, da moda, das artes, da estética. Veja que apesar de Virginia discordar de Elyette, elas confirmam a tese de que ética e estética são indissociáveis.


Seja na ótica-ética do criador ou do público, qualquer experiência estética se traduz num significado, mas até aí nada de novo. Novo mesmo é o que o chinês lao tse falou a 25 séculos atrás: “the way to do is to be” ou “o jeito de fazer é ser.” que invertendo dá no mesmo: “the way to be is to do” ou “o jeito de ser é fazer”. 


Digo que é novo porque vivemos uma época em que a tecnologia de comunicação acelerou tanto a vida que vivemos um tempo sem intervalos, que não tem antes nem depois, só durante. tempo real, ao vivo, 24/7. Acabou o tempo entre o fato e o conhecimento do fato, entre o pensamento e a ação, entre processo e obra. não tem ensaio nem bastidores, só espetáculo.


Os teóricos dizem até que a arte acabou quando a comunicação encontrou esse tempo zero. quer dizer, acabou a obra finalizada, pronta e perfeita para ir a público. o que temos é o processo, verso e reverso, direito e avesso, ao mesmo tempo, aqui-agora, autor-espectador.


No tempo real, imagem é tudo. você é o que você faz. você faz o que você é. mais ou menos como disse lao tse. form is function.


Mas porque o Lao Tse do século 5 ac é mais contemporâneo que a Virginia e a Elyette do século 21 dc?

Eu tenho um palpite. mas antes quero contar uma história que vivi em meados do século 20 dc, no japão, mais precisamente no santuário de Isé, onde está o templo mais sagrado e mais antigo do shintoísmo, dedicado à deusa amaterasu.


Esse templo tem mais de 2000 anos mas é demolido e reconstruído a cada 20 anos. a minha cabeça ocidental não entendeu como que uma obra pode ter 2000 anos se é demolida a cada 20, e fui atrás da resposta. veja o que aprendi: ao demolir o prédio (estética) eles querem preservar o seu significado (ética) que é lembrar que “na vida tudo é impermanente”. eles fazem isso a cada 20 anos porque é o tempo de uma geração aprender essa verdade fundamental. mas não é só isso. O processo de construção do novo templo começa assim que o outro fica pronto. em várias regiões do japão a madeira e as pedras que servirão para construção começam a ser colhidas e preparadas. 


Aos poucos esse material é transportado sempre por meios naturais nunca por motores. as madeiras são roladas pelas estradas, levadas pelos rios, em carros de boi, passando por rituais, parando de aldeia em aldeia, de cidade em cidade até chegar à ilha sagrada nas vésperas de iniciar a construção. Quando soube de todo esse processo que dura 20 anos eu entendi: o templo era o processo e não a obra! 


O rito, o fazer cotidiano, a vida em permanente fluir, ali, naquela estética (fazer) estava a ética (o significado). não havia um processo vulgar para se construir uma obra sagrada. Sem antes nem depois, só gerúndio. apenas e sempre construinnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnndo.


Elyette e Virginia viram a obra enquanto lao tse viu o processo. por isso elas viram um antes e um depois e ele viu o presente, o eterno presente, o tempo real, onde as coisas são o que são, sem intenção nem opinião.

Este texto que me chamou atenção tirei daqui.