terça-feira, maio 17, 2011

A ética e a estética: dois elos

Ética e Estética são Indissociáveis A professora especialista em luxo, Elyette Roux, diz que sim, “…que a estética é a maneira original, própria , de organizar o mundo do sensível de modo a comunicar uma emoção que traduz a visão de mundo do criador, isto é, sua ética. É nisso que ética e estética estão ligadas.” e exemplifica com chanel que mostrou “através de suas criações, sua concepção da moda e da mulher (dimensão ética) e qual foi sua maneira única de organizar o universo sensível por uma silhueta particularmente reconhecível (dimensão estética).” 


Na mesma época, século 21, a jornalista do new york times, Virginia Postrel, publicou “the substance of style” com um subtítulo intrigante: “how the rise of aesthetic value is remaking commerce, culture & consciousness”. Ela diz que a substância (ética) do estilo (estética) não depende do criador mas do público que vai julgar o que é belo. Depois de estudar muito nossa época, virginia é categórica ao afirmar que a estética está ganhando valor como um experiência independente da intenção que a originou. assim, em grande estilo, ela chuta o pau da barraca que abriga os críticos que se dizem saber o que é belo no mundo da arquitetura, do design, da moda, das artes, da estética. Veja que apesar de Virginia discordar de Elyette, elas confirmam a tese de que ética e estética são indissociáveis.


Seja na ótica-ética do criador ou do público, qualquer experiência estética se traduz num significado, mas até aí nada de novo. Novo mesmo é o que o chinês lao tse falou a 25 séculos atrás: “the way to do is to be” ou “o jeito de fazer é ser.” que invertendo dá no mesmo: “the way to be is to do” ou “o jeito de ser é fazer”. 


Digo que é novo porque vivemos uma época em que a tecnologia de comunicação acelerou tanto a vida que vivemos um tempo sem intervalos, que não tem antes nem depois, só durante. tempo real, ao vivo, 24/7. Acabou o tempo entre o fato e o conhecimento do fato, entre o pensamento e a ação, entre processo e obra. não tem ensaio nem bastidores, só espetáculo.


Os teóricos dizem até que a arte acabou quando a comunicação encontrou esse tempo zero. quer dizer, acabou a obra finalizada, pronta e perfeita para ir a público. o que temos é o processo, verso e reverso, direito e avesso, ao mesmo tempo, aqui-agora, autor-espectador.


No tempo real, imagem é tudo. você é o que você faz. você faz o que você é. mais ou menos como disse lao tse. form is function.


Mas porque o Lao Tse do século 5 ac é mais contemporâneo que a Virginia e a Elyette do século 21 dc?

Eu tenho um palpite. mas antes quero contar uma história que vivi em meados do século 20 dc, no japão, mais precisamente no santuário de Isé, onde está o templo mais sagrado e mais antigo do shintoísmo, dedicado à deusa amaterasu.


Esse templo tem mais de 2000 anos mas é demolido e reconstruído a cada 20 anos. a minha cabeça ocidental não entendeu como que uma obra pode ter 2000 anos se é demolida a cada 20, e fui atrás da resposta. veja o que aprendi: ao demolir o prédio (estética) eles querem preservar o seu significado (ética) que é lembrar que “na vida tudo é impermanente”. eles fazem isso a cada 20 anos porque é o tempo de uma geração aprender essa verdade fundamental. mas não é só isso. O processo de construção do novo templo começa assim que o outro fica pronto. em várias regiões do japão a madeira e as pedras que servirão para construção começam a ser colhidas e preparadas. 


Aos poucos esse material é transportado sempre por meios naturais nunca por motores. as madeiras são roladas pelas estradas, levadas pelos rios, em carros de boi, passando por rituais, parando de aldeia em aldeia, de cidade em cidade até chegar à ilha sagrada nas vésperas de iniciar a construção. Quando soube de todo esse processo que dura 20 anos eu entendi: o templo era o processo e não a obra! 


O rito, o fazer cotidiano, a vida em permanente fluir, ali, naquela estética (fazer) estava a ética (o significado). não havia um processo vulgar para se construir uma obra sagrada. Sem antes nem depois, só gerúndio. apenas e sempre construinnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnndo.


Elyette e Virginia viram a obra enquanto lao tse viu o processo. por isso elas viram um antes e um depois e ele viu o presente, o eterno presente, o tempo real, onde as coisas são o que são, sem intenção nem opinião.

Este texto que me chamou atenção tirei daqui.

Frase do Dia: Muricy Ramalho e a Gestão de Talentos

"Time vencedor é a mistura de: talento e ambiente." - Muricy Ramalho.
Para mim um dos maiores gestores de talentos do esporte no Brasil. Ele bem que poderia lançar um livro. Compraria fácil, afinal sou São Paulino. :D

segunda-feira, maio 16, 2011

Produtividade no trabalho

Produtividade no trabalho

Como os seus colaboradores administram o tempo no trabalho? Uma pesquisa realizada no Brasil constatou que mais da metade dos 1600 profissionais entrevistados executam suas principais tarefas na última hora, enquanto 33% gastam até duas horas do trabalho com atividades sem fins produtivos. E mais, 60% marcam consultas médicas no trabalho, 59% dão uma “esticada” no horário de almoço, 56% realizam compras online, e outros 39% procuram um novo emprego durante o expediente. O levantamento foi feito pela Triad PS, empresa especializada em softwares para produtividade pessoal e gestão de equipes.

Fonte: VocêSA

quinta-feira, maio 12, 2011

10 coisas que eu não sabia sobre a internet até ontem


A partir de um estudo The Digital Year in Review: Brazil, elaborado pela ComScore. De janeiro de 2010 a janeiro de 2011, o Brasil registrou crescimento de 20% em sua base de usuários. Saindo na Revista Proxxima em abril deste ano. O Brasil se revelou uma grande ebulição de oportunidades:

  1. O Orkut é o terceiro site mais popular do Brasil. Facebook cresceu 20% de Janeiro para a Janeiro de 2011. 
  2. Em 2010 o número de celulares com 3G no Brasil cresceu 79%. De 10,5 milhões para 18,8 milhões.(Anatel)
  3. Audiência da internet no mundo cresce 8%, na América Latina 15% e apenas no Brasil cresce 20%, segundo a ComScore.
  4. O Sudeste corresponde a 68% da população on line no Brasil, com média 23,7 horas mensais - Ibope Nielsen
  5. 40% do público que está na internet brasileira, tem mais de 45 anos. Ou seja, internet não é (apenas) coisa de jovem. 
  6. 75% do público brasileiro usa e-mail, no mundo é apenas 63%. Crescendo ainda 3% em 2010. - ComScore
  7. 71,1% dos brasileiros on line, acessam blogs, enquanto no restante do mundo apenas 50% - ComScore (refletindo algumas questões: o brasileiro gosta de se comunicar e gosta de notícia)
  8. O Brasil tem um dos maiores índices de penetração do Twitter no mundo, com 22%, contra 13% nos EUA. - ComScore
  9. Categorias que decolaram em 2010 (provavelmente por motivos do Google Adwords)
    1. Automóveis - subiu 32%
    2. Lazer - 56%
    3. Viagens - 49%
  10. As mulheres são as que mais assistem videos na internet. A maior fatia está das mulheres entre 45 e 54 anos no Brasil. (Youtube como extensão da TV) 

quarta-feira, maio 11, 2011

Como usar a metáfora a favor da sua mensagem?

Nestes últimos tempos tenho lido e sem querer alguns insights surgem em minha cabeça. Como foi o caso de hoje. Que comprei o livro de Joseph Murphy, "Aumente o poder do seu Subconsciente" que me provocou algumas reflexões sobre o poder da mensagem e da auto-sugestão.


Primeiro para entender, Joseph Murphy é um cara que escreveu seu primeiro livro em 1963, O poder do subconsciente, onde chacoalhou os cristãos e religiosos, da forma de se pensar em fé, abrindo um movimento chamado: Novo Pensamento. Ele estimula que: "A fé é uma atitude da mente." Tudo envolve o pensamento e a mentalização, baseada na fé. A fé seria o input para desencadear qualquer objetivo na sua vida, diferente da religião ou religiosidade. Afinal é possível ter religião sem ter fé.


Então, durante o livro ele cita diversas escritos da Biblia como forma de reforçar o pensamento de que a fé faz parte de uma Infinito poder (divino). Exemplo:  "Deus me protege com suas asas da bondade", ou, "O Senhor é meu pastor e nada..." etc.


E daí? O que me chama a atenção é que na Biblia existe inúmeras metáforas. E são repetidas de milhares de anos na cabeça das pessoas. Fazendo um paralelo, Dan e Chip Heath em seu livro Ideias que Colam, que o cérebro é formado por "alças mentais", onde "quanto mais ganchos uma idéia tiver, melhor será seus encaixe na memória". Isso reforça a ideia de usar metéforas, como também emoção e o contexto. (Veja mais sobre o livro aqui e aqui)


Metáfora não deixa de ser uma figura de linguagem que força algo primário que é contar histórias, respeitando o contexto do outro. Fazendo com que criemos significados usando um elemento de sua experiência para entender outro. Ela nos dá a oportunidade de elastecer nosso pensamento e aprofundar o entendimento, permitindo-nos ver as coisas de maneira novas e agir de maneiras novas. Ela ajuda a viajar sem se mover.


Bem, é uma intertextualidade interessante quando migramos isso para o universo da Comunicação quando vemos anúncios simulando cachorros-peixes, ou frases como "Red Bull te dá asas"; da Liderança quando precisamos passar mensagens mais claramente e críveis; do Design com suas embalagens que simulam corpos ou carros que simulam sorrisos, entre tantas outras formas. Caindo no funil das expressões: "É como se fosse...", "Olha, parece...", "O objetivo aqui foi...", em cada frases iniciais de cada discurso que ouvimos. Ou em anúncios como:


Enfim, a Bíblia, como qualquer outro livro pode ser apenas uma referência de estudo para analisar e perceber que há milhares de anos o homem tem a necessidade de contar histórias e de passar mensagens de forma mais clara. E passar seus pensamentos. Ou seja, a necessidade de ouvir e contar. Usemos a metáfora para que "O consumidor acredite que é o que o produto faz com que ele pareça."

É o que o Dr. Gerald Zaltman, professor de Harvard Business School e um dos pais do Neuromarketing, comenta neste filme (ative as legendas em português):



Portanto, quando for falar, escrever um texto ou um anúncio, ou até criar uma apresentação em PowerPoint, a metáfora pode ser um aliado na hora de exemplificar e testar a audiência do seu público.

Tem um post interessante aqui, e aqui.


Fontes: ccsp, ccsp

terça-feira, maio 10, 2011

O planejamento ainda não caiu na rede

Copio e colo um texto muito bacana sobre a funação do planejamento e estratégias digitais. Do consultor Adalberto Viviani.
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Nos últimos anos tem crescido entre empresas e agências a consciência de que é preciso estar na web e ter atuação expressiva nas redes sociais. Essa consciência tem provocado uma corrida maluca. Infelizmente com muitos acidentes de percurso, derrapadas nas curvas e acidentes com vítimas.

O raciocínio de estar nas redes sociais suplanta a pergunta dos motivos que levariam as empresas a isso. Todos dizem que a web é uma ferramenta. O que temos visto, na enorme maioria dos casos, é que estão vendendo ferramentas e não seus benefícios.

Ter uma estratégia para a web é antes de tudo ter uma estratégia. Isso significa ter um planejamento. Pasmem. Acham que o planejamento mudou com a chegada das redes sociais como se elas eliminassem a existência das pessoas. Uma ferramenta não muda o planejamento. Pode mudar o comportamento das pessoas e isso sim muda o planejamento.

Por isso a primeira necessidade básica dos está mantida: entender o que motiva e move as pessoas. O que move não é a ferramenta mas sim o que ela provoca. Por isso é preciso acabar com esta história de vender uma solução tecnológica e compra-la por ser avançada. A questão continua sendo como ela se encaixa na demanda estratégica apresentada.

Existem máximas que são ditas como definitivas. Sua empresa tem que estar no twitter. Tem que enviar muitas mensagens diariamente pois frequência é fundamental. Verdade. Mas dizendo o que? Fale sobre sua empresa.

Eu proponho amarrar as mãos do twitteiro de uma empresa que faça isso pois ninguém quer saber o que uma empresa está fazendo em 200 mensagens em um mês. O problema não é ter a ferramenta. É saber o que dizer para gerar interesse, relacionamento e compartilhamento.

Outra febre são os blogs. Temos blogs de empresas falando de tudo. Especialmente empresas falando de si. É uma coisa sensacional. No meu tempo (que coisa, cheguei à idade de falar no meu tempo!!!) se um garoto chegasse em uma menina e ficasse falando de si o tempo todo seria um chato. Os tempos mudaram? Não creio.

O exercício de egocentrismo de falar de si o tempo todo interessa a quem? A quem escreve e a seu psicanalista. Se tanto. Blogs são instrumentos que devem partir (novamente) do nível de interesse do público. Parece evidente. Mas não tem sido.

Vamos adiante. Os e mails com ofertas. Por um acaso do destino eu cai no mailing de duas redes de varejo. Uma americana e outra francesa. Senta que lá vem oferta. Recebo ofertas de tudo. Máquina de lavar, notebooks, geladeiras, mesinhas e jogo de chá. A única decisão que tomei foi a de nunca mais comprar em nenhuma das duas redes pois pedi a retirada de meu nome da lista, telefonei depois pedindo isso e parece que meu nome tem uma atração terrível para ambos.

Continuo recebendo os e mails de quem não faz ideia de meu perfil e o que poderia comprar. Enviar 10 milhões de e mails pode vender bem. Mas, creiam, o estrago será maior. Não é possível converter um ateu com um carro de som na porta da casa deste esbravejando a palavra de deus. Talvez por isso eu continue ateu. E sem comprar nas duas redes.

O planejamento não morreu. Conhecer o público continua sendo fundamental. Fazer as perguntas básicas sobre imagem, identidade de marca, estratégias e táticas de trade, análise da concorrência. É preciso planejar e utilizar para isso não os especialistas em web. Mas os especialistas em gente. Incorpore no grupo os profissionais de tecnologia e os criativos de web. Mas planeje se perguntando sempre o perfil, as metas, as motivações, o que se quer com está ação.

Retirado da @meioemensagem