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sábado, março 12, 2016

O design thinking, a mulher e os valores que o ser humano esqueceu

Estes tempos lendo várias coisas diferentes, acabei sendo levado a fazer combinações de conteúdos que soaram meio estranha a primeira vista, mas vêm me causando uma reflexão pessoal grande.

A combinação
Riane Eisler propõe algo muito básico e muito lógico. Que possamos retomar um modelo de cuidado entre as relações, um modelo de parceria. Ela estimula a gente a pensar que este modelo atual de extração e dominação nos campos ambientas, de sociedade e polarizados não nos levou a nada, sobretudo porque eles tiveram uma base masculina em sua essência.

O papel do homem foi mudando ao longo dos séculos e este papel foi criando uma força destruidora em diversos níveis, afastando o aspecto de cuidado e parceria que havia no passado. Uma economia cuja parceria (não no sentido puramente econômico, mas no sentido social) é se torna um modelo vigente, carrega mais poder, pois não polariza, injeta mais valores femininos e aproxima o real significado de se construir algo junto independente . Vivemos um momento de transição como reflexo isto, e segundo ela, quando existe uma melhoria da qualidade de vida das mulheres existe um melhor PIB.



Ou seja, se formos olhar este video de forma isolada, sem o olhar político, suscito a pensar que o ser humano se afastou dele mesmo ao longo dos milênios por conta de fatores externos como ambientais e depois fatores industriais. 


Essa separação criou uma relação de poder e influência que perpetuou muitas guerras, polaridades e atritos sociais e familiares por gerações.

Curiosamente, um livro que terminei de ler que o recomendo fortemente, é o do Ezio Manzini, Design, When Everybody Designs: An Introduction to Design for Social Innovation. Descreve sobre o poder social do design, mas sobretudo, Ezio interpreta que o papel do designer ganhou proporções no mundo maiores e mais elásticas porque ele acredita fortemente que as pessoas têm poder de designing

Dois trechos recentes gostei muito:
"A inovação social e as organizações colaborativas têm...de algum modo nos re-habilitado e requalificado [para relembrar sobre a pratica da colaboração. Retrato esse que]... um número grande de pessoas não apenas estão redescobrindo o valor da colaboração, mas também aprendendo novamente a colaborar." 
Juntando
O que me suscitou ao juntar as duas linhas de pensamento foi que, diante do crescente modelo social em constante mudança que estamos vivendo, cuja colaboração está se tornando mais que um modelo econômico, mas sim uma virtude diluída na sociedade e sendo resgatado pela esperança e pelo acesso a exemplos convincentes (pela internet). Pensei: Seria o designer (e/ou a inovação social), um alavancador destas virtudes (simbolicamente) femininas da união, que talvez fomos nos esquecendo ao longo dos séculos? 

Sei que o gênero homem é participativo e é colaborativo. Acredito muito que é uma questão de cultura e de como fomos ensinados geração por geração, (baseado ou não nesta teoria no video da Riane).

O que me provoca é que as bases valiosas do design thinking são: empatia, colaboração, e experimentação. Basicamente, as duas primeiras são valores que exigem um grau de sensibilidade e sensibilização para que eles surjam e sejam adicionados no dia-dia. 

Estes dois valores são valores universais. É o que se deve fazer na vida como um todo! Coletividade não têm sexo.


Ezio comenta em seu livro que o papel do design como ativista social foi impulsionado justamente pelo poder de colaboração dado pelas redes, e é justamente este ponto. Porquê um gênero que 'foi desacostumado' a não colaborar ao longo dos séculos, está voltando a ter este ímpeto? É porque viu um novo martelo pela frente (leia-se a internet)? Acredito que não é só isso. Mas a mudança de novas possibilidades econômicas de se trabalhar, uma cisão no modelo das empresas, uma nova relação de trabalho com novas empresas emergentes e sobretudo uma fluido pensamento social que fomos laçados impulsionado pela internet e novas referências. Talvez isto tenho despertado essa sensibilidade não apenas para o fazer, mas também, para despertar uma elevação de consciência maior no próprio gênero masculino. 

Perguntei-meA Inovação Social teria um composto feminino da colaboração maior como impulsionador social, do que aquele estereótipo da competição e dominação personificada pela figura masculina, esquecida ao longo dos anos? A inovação social seria a faceta colaborativa para re-conduzir não só alguns valores, mas também progresso sistêmico para as cidades e bairros?

Sei que parece meio exacerbação, mas penso que quanto mais o design thinking for difundido realçando com bases sólidas estes 3 valores, a sociedade poderá ser aos poucos sensibilizada como se passasse uma camada que amolecesse o sistema de interação, julgamento e convívio social ao longo até então de cada um. Sendo o papel do designer hoje muito mais forte e importante numa construção de redes de relações.

Não só re-preparar pessoas para entender outras, mas também ter mais acesso a educação de conceitos como sustentabilidade, Cultura de Paz, comunicação não-violenta e o próprio empreendedorismo. 

A forma de pensar do design congrega temas, pois estimula vontades, desejos e ideias a saírem do campo da ideia para o real. Por isso que é tão importante que bases novas sociais sejam formadas com mais valores com profundidades universais e escaláveis. Sim, o design thinking é um pacote de valores escaláveis.

Ezio exemplifica isso com uma frase muito boa:
"...as capacidades para designing e colaboração são ambas intrínsecas a natureza humana, mas de acordo com o contexto nos quais as pessoas encontram-se vivendo, cada uma talvez esteja ou cultivando e desperdiçando elas. Assim, uma importante tarefa do expert em design é promover e desenvolver essas capacidades de forma difundida."
Então
Fornecer melhores condições para as mulheres hoje são tão importantes quanto relembrar os valores da parceria e da igualdade de relação, não de papéis. Este novo 'casamento' psicológico, social e progressivo vem sendo estimulado cada vez mais por diversas tendências, sobretudo pelo nossa disposição - tirando os radicais e extremistas - a poder ouvir e selecionar o que nos faz mais sentido.


Cultivar a parceria entre os sexos, encarará não só a mulher como componente de valor social - não apenas posta em áreas de trabalho genuinamente 'do cuidar', resgata que somos todos iguais e por isso somos um. Dependemos de cada um, porquê o que fazemos tem causa e efeito em algum momento. 

Que tal se 
a partir de agora (a causa) agíssemos através de novas bases de valor compartilhado para criar novos efeitos onde todos pudessem ser reconhecidos com valor e interdependentes? 

*imagem Rodion Kutsaev

terça-feira, junho 02, 2015

A importância da Essência de Marca e o Propósito

Ando tendo leituras no campo da filosofia e sociologia e isso vem me deixando mais incomodado ainda com muita coisa, em mim e, reflexivo sobre os outros. Desde Clóvis de Barros, Schopenhaer, Heiddeger e até Krishnamurti. Um efeito colateral disso é o meio distanciamento do mundo. Continuo a ler notícias, a ler sobre as coisas que ocorrem em minha cidade etc, mas acabo, infelizmente entrando em ciclos de auto-revisão. Isto é bom e ruim. 

Para este post, não quero falar sobre mim. Aliás este não é o foco do blog. Quero falar sobre as empresas. 

Muito se fala sobre o DNA corporativo, essência de marca, e o mais recente nome: propósito. Todos estes nomes não são necessariamente novos no linguajar executivo, mas vem tendo maior relevância hoje em dia porque suscitam maior competitividade. Pois bem, a equação que se propaga é: Quem tem propósito é mais competitivo e tem maior relevância. Concordo plenamente com essa afirmação. 


O embate
Mas levanto uma questão primordial, que sempre me lembro da importância do design thinking - a importância do processo. O processo, no mindset do DT é o que emerge de sua riqueza. Pois bem, lendo este fim de semana o livro do Oliver James, Como Desenvolver Saúde Emocional, uma passagem me suscitou importante atenção: 

"As pessoas bem-sucedidas frequentemente operam através de um sofisticado self falso. Quanto mais bem-sucedidos nos tornamos, mais o mundo se relaciona com a pessoa que criamos....Como esses magnatas dos negócios tendem a ter muito pouca vida privada, com pouco tempo disponível para a família e amigos, suas trocas sociais são restritas a pessoas sobre as quais eles exercem poder direto. Os funcionários agradam - e nunca desafiam - o self falso, e o self verdadeiro se perde."
Oliver não leva o leitor a achar que o altruísmo ou o socialismo são os melhores caminhos. Mas mostra que as pessoas bem-sucedidas são incomodadas por natureza, e obstinadas porque em sua grande maioria criam personas as vezes descoladas de quem elas realmente são. Elas projetam personas que não costumam ser (intimamente) porque querem vencer na vida. Elas assumem papéis que não são da natureza delas e tornam isso um sonho. O famoso sonho das revistas de negócios. E se acostumam com esse papel até perderem suas raízes, tradições, ligações verdadeiras do passado e do porquê realmente buscaram aquele "sonho".

É importante dizer que o baixo entendimento sobre nós mesmos nos cria o precedente a criar estes mundos paralelos e a criar personas desejáveis que geralmente nos tornam frustrados, e nos causam uma paranóia profissional e pessoal. (Curiosamente é nos EUA onde existem maior número de pessoas com distúrbios de personalidade.) Pois bem, da mesma forma que existem pessoas muito bem sucedidas que tem uma ciência mais firme, saudável e clara sobre a natureza de quem se é, conseguindo transferir isso genuinamente para as pessoas, atraindo outras e até formando pessoas que pensem como elas. O curioso é que independente do desfecho bem sucedido de ambos, existe o processo. Existe a relação familiar que é construída desde a sua primeira infância, do nascimento até os 3 anos. Fase crítica de formação de comportamentos que serão sentidos até a fase adulta. Confrontados na adolescência e reformulados na fase adulta. Oliver nos leva a crer que nossa noção saudável de nós é formada com famílias amorosas ao longo da nossa educação de casa e formação social. 

Nossa formação Claro, existem regras, como existem exceções. Todos sabemos que para criar uma empresa é preciso trabalhar duro e empregar valores pessoais (?) em suas ações para construir um mundo melhor. Mas onde é que você foi buscar seus valores mesmo? Nos livros que você leu? Nos documentários que você assistiu? Em coachs

Isto tudo é importantíssimo para nos inspirar e criar uma empatia real com o mundo. Ou pelo menos compaixão. O exercício prático de entender pessoas se colocando no lugar dela é um convite a reflexão sobre nós mesmos e sobre nossos valores. No entanto não é só isso que é o importante. É importante revisitar sua infância, ou alguns gatilhos atuais, e entender origens de alguns comportamentos para perceber que eles podem ter se tornado crenças sólidas que você racionalmente justifica-as em suas ações, e essas serão as valores da sua empresa no futuro (se você quiser ser um empreendedor), a não ser que você copie eles da concorrência.

Essência Onde eu quero chegar? De que para revelarmos a essência de uma empresa não basta apenas olhar seus históricos, é necessário entender a fundo a natureza (humana) de seu fundador e vasculhar suas histórias e convívios para clarificar o que ela realmente é. Se não, corremos o risco de criar justamente selfs falsos, tanto do fundador quanto da marca. E o que isso pode acarretar? Um falta de identificação interna, engajamento entre funcionários, desacreditamento claro sobre os valores, ruídos de comunicação, perca de competitividade, turn overs constantes etc. e assim, uma cultura organizacional que permeia-se por uma confusão de comportamentos inconstantes e inconsistentes.

Sabe, o livro do Viktor Frankl, que é considerado um dos melhores livros da história, por vários executivos, que curiosamente é uma das grandes inspirações do Simon Sinek que escreveu Start with Why? Pois bem, nele Viktor, através da logoterapia (técnica criada por ele) indica que deveríamos praticar a intenção paradoxal que consiste em você fazer exatamente aquilo do qual você tem medo, usando mecanismos próprios. Você se distancia do seu próprio medo, que pode ser um constrangimento seu, ou um trauma seu de infância, ou algo nascido de uma crença sua, praticando algo igual ou semelhante. Porque a teoria dele defende que "o medo faz acontecer aquilo de que se tem medo, uma intenção forçada torna impossível aquilo que se deseja muito". Você intenciona o que quer evitar para parar de pensar naquilo. 

O que isso tem a ver com Oliver, essência e propósito? Então, quando temos uma ciência honesta de quem nós somos, do nosso self real, daquela pessoa que tem diversas vulnerabilidades, de que não temos que nos anular sempre para conseguir outras coisas, de que nossos traumas, nossas vulnerabilidades podem não ser tão tão ruins quanto parecem. De que nossos padrões de comportamentos sempre voltam e temos que conviver com eles e buscar entendê-los para superar. De que entender quem nós somos nos ajuda a intencionar como podemos melhorar e desejar um melhor caminho futuro, para melhorar este presente atual que somos. De forma muito mais honesta, real, valiosa e valorosa, para mim e para as pessoas. Que pode ser ambiciosa ou não. Aqui entra o propósito.

Propósito
Entender quem nós somos é uma visão estática de sentido, mas evolutiva em seu significado. Estamos sempre aprendendo novas coisas e nos deparando com novos desafios, isto forma o nosso ser individual e constrói (e revisita) o nosso self. E ele ajuda a criar padrões para decidir sobre nossa vida, nossos casamentos, nossas carreiras e nossa vida empresarial. O pensamento intelectivo aqui tem papel importante para criar a qualidade social que desejamos e praticamos no dia-dia com as pessoas. Então, já que ele é estático, mas evolutivo porque fica dentro de você. Sua essência é imutável de ante-mão. Tão bem quanto a essência de uma empresa pode(ria) ser. 

Quando falamos de propósito, falamos de algo que se mune dessas informações de sua essência, fundamentais ao seu ser/self/eu, para projetar como você quer impactar as pessoas criando a condição para este futuro. Existe aí a projeção de um futuro que ainda não chegou, mas uma intenção deliberada para que algo aconteça. Mas para que este impacto, este futuro ocorra, devemos entender bem o nosso presente, e o nosso presente é a nossa essência. Por isso, que aqui defendo que o propósito é algo diferente de essência, que é algo diferente de DNA, e algo diferente de promessa. Porém, todos passam por revisitações de nós mesmos.

Tudo é processo, e o processo ganha cada vez mais importância em um mundo de incertezas. Mas o processo é alinhavado com aspectos sociais, psicológicos, desejáveis e viáveis. 

Se, "A marca é a maneira de tentar projetar-me ao que eu quero ser", frase que Martin Lindstron disse. Podemos pressupor que marca é uma projeção de uma condição que ainda não temos esclarecido ou maturado em nós mesmos. Marca acaba se tornando uma criação de uma expectativa que vive em algo comum à natureza humana. Marca se torna um desejo. E para o desejo se tornar valor, existe a inovação para torná-lo nas vidas das pessoas. Para que esta expectativa seja coerente é preciso que haja uma cultura bem embasada e clara em valores, comportamentos, metas, essência, e se possível um propósito. 

Portanto, ter um propósito de uma marca deve ser embedado em algo natural e genuíno de todo ser humano, e que é desejável e 'jogado para o futuro'. E NÃO pode ser puramente criado por alguém fora da marca, é preciso ser 'proposto' por alguém que viva a marca. O propósito precisa melhorar. Propósito se torna então, uma intenção saudável que amplifica pessoas, porque considera elas como interdependentes, mas convida elas para construir futuros impactantes e alinhados. Propósito precisa melhorar as pessoas(!)Mas para melhorar as pessoas, é preciso entender quem você é realmente.

Conclusão
Para concluir, sabe o que é mais louco nesta história? É que Steve Blank, criador do The Startup Owner's Manual, um dos livros mais aclamados no universo de startup, em uma conferência recente (#fei15) disse essa frase:
 "We're trying to turn a faith-based process into facts...Get outside and test your assumptions." Nós estamos encarando suposições que chamamos de fés ou intuições -que nascem de coletas com baixa qualidade de informação dos consumidores, em fatos, transformando isso em estratégias para produtos. Algo distante do que falamos até aqui, de empatia, de olhar o outro, de ser mais centrado no ser humano. E a base do movimento de startup de que devemos 'Get outside the building' (saia do prédio e vá conversar com os usuários) é a empatia. 






Percebe como tudo está interligado? Desenvolver melhores marcas passa por entender melhor os consumidores, a sociedade e as pessoas, tão bem, quanto melhor se entender como pessoa e como sistema vivo de interação neste ambiente sistêmico. Ser competitivo hoje é se entender melhor

domingo, fevereiro 22, 2015

A eficiência da imperfeição

Estamos em um momento liquido, amorfo, concentrador de riqueza e incertezas. Nossos objetivos de vida estão mais eficientes e nosso eu é bombardeado por frases de auto aceitação de nossas fraquezas e imperfeições. Somos objetos de nossos objetivos, porém nós nos tornamos instrumentos imperfeitos da eficiências industrial.
Essa dicotomia nos indica um reforço em nossas angustias diárias em sermos mais focados em nossas carreiras e atividades de vida (seja no trabalho ou no amor) sendo instrumentos de propósitos e felicidades que compramos suas idéias cada vez mais, achando que nos darão mais certezas sobre as nossas decisões. É um universo estranho entre se aceitar imperfeitamente em nossa unicidade, mas adorar se sentir igual aos outros, um normal. Aceitamos a diversidade, mas é a padronização que nos acalma.
O homem adora o padrão e padronizar. O padrão, é um conforto emocional que empresas adoram pela eficiência produtiva, mas ao mesmo tempo se torna seu maior inimigo, pois o fenômeno da redundância é custoso, caro e ineficiente diante da busca implacável da lucratividade.
Marcas crescem em busca de diferenciação, introduzindo modelos eficientes de crescimento e produção, mas pouca capacidade em se diferenciar diante do padrão (o estado permanente de commoditizacao de um produto/serviço) aceitável de competição, porque tem dificuldades em enxergar-se como empresa e sua missão e propósito, quanto seres humanos quanto criadores de valor para alguma coisa. Concorrer no mercado hoje em dia, se faz necessário ser mais rápido que a criação de um padrão. Para isso a inovação e a aceitação da incerteza e ineficiência surge como um grande angustiador para executivos que buscam uma genuína vantagem competitiva minimamente duradoura. Aceitar a incerteza é trabalhar voltado ao que mais nos atinge, nossa ineficiência em sabermos tudo, em todas as nuances e, algumas vezes nos deparar com pessoas que testam nossas convicções.
"Existem males que vem para o bem". Esta frase não existe no universo empresarial. Não existe a presença do erro, apenas projetos controlados e muito bem construídos para obter resultados rápidos e eficazes. Sim, é isso. Está certo. Nem sempre isso acontece, daí a importância em olhar os erros com o olhar humano. Quem disse que todos os dias temos que pegar o mesmo trajeto para ir ao trabalho? Podemos escolher outros. Testar. Uns terão mais cores, outros menos. Nenhum sistema é eficiente até que se prove o quanto ele é capaz de suportar sua uma resiliência. Ir além do que se tem, ou melhor, ir paralelo ao que se tem é uma maneira de dentro de universos controlados, explorar novos caminhos não-usuais.
Gerar inovação se torna um exercício de entender a natureza humana e se pôr numa situação de incerteza e insegurança sobre o futuro. Não acredito na inovação apenas pelo que os outros pedem, mas pelo que/como se sente o ambiente externo, e em como você se encaixa nele e coexiste.
Inovar tem sido cada vez mais um teste de valores para provar o quão cada ser humano é capaz de suportar e buscar seu melhor projeto. São obsessões parecidas a de alguns artistas. Cujo ambos exemplos precisam exercitar, criar ambientes propícios e favoráveis para expressar sua capacidade em ser criativo. Porém, com consequências diferentes e ambientes de experimentação diferentes e controlados, sem distrações muitas vezes. Mas que tem parecido ser cada vez mais divertidos (ou deveriam ser).
Não é de admirar que esteja longe de mim tudo o que não sou eu. Todavia, o que há mais perto de mim do que eu mesmo? - Santo Agostinho, Confissões, X, 16.
Seremos sempre imperfeitos, porque sempre seremos emocionais e intuitivos. Seremos sempre buscadores de padrões, mesmo adorando entrar nas nossas cavernas escuras de platão. Estaremos sempre longe de nós mesmos quando começamos a perder a capacidade de valorizar nossa jornada. Temos que ser efetivos em buscarmos a perfeição e eficientes em lidarmos com a imperfeição.
Henry David Thoreau disse certa vez "Men have become the tools of their tools." Eu eu me pergunto, a quem/que você serve? Por quê? Está valendo a pena? Se não, você pode até criar a eficiência no que você faz, mas não se deixará cair no inesperado gosto da incerteza. Nos impedindo de caçar além de nosso território conhecido. Que é isto que nos torna autênticos, um passo de cada vez. Quem disse que tem que ser pra frente? Por que não para o seu lado? 

O mundo é multipolar, é multiverso.
Seja efetivo em buscar a perfeição
post publicado originalmente em meu espaço no Linkedin

quarta-feira, agosto 27, 2014

Curiosidade é o gatilho para melhorar a interpretação do contexto

Ter um propósito é fazer as pessoas quererem ser melhores: socialmente, profissionalmente e espiritualmente. Isto é o princípio básico da Economia do Propósito. Mantendo a curiosidade em aprender ou apenas melhorar da melhor maneira o que já faz. 

Lendo este post do The best leaders are pattern thinkers, me deparei com este lembrete, que me fez pensar no teor com que as pessoas definem que outras e empresas têm propósito.
"we (MUST-HAVE) are fascinated with anything that has the potential to impact our life. And if we are not curious about those things, then we’ll have no clue what its impact might be on someone else’s life. Passionate curiosity is indispensable, no matter what the job is. People who are passionately curious are alert, awake and engaged with the world and wanting to know more. People with this quality are sponges for information, for insights, wherever they are, whatever they’re doing."
Fala-se sobre potencial, mas o que penso é que o impacto tem que surgir primeiro em você. Nâo venho me convencendo que pessoas e empresas que apenas dizem, comunicam o que são seus propósito realmente o fazem. Se não o estimulam internamente seus funcionários a descobrirem seu próprio propósito como vão criar uma cultura de marca que construa, entrega e atraia um sentimento de propósito nas pessoas? 

Talvez a maior dificuldade do nosso tempo, pós-crise, de incerteza e instabilidade, de falta de confiança (até em nós mesmos), de buscar a segurança apenas no ROI e de responder ao mercado o que ele pede. Isto, irá dividir as empresas paulatinamente em Empresas de Reputação e Empresas de Compromisso. As pessoas vão perceber isso? Nem todas. 

Tudo é interpretação?
Quando leio trabalhos como Great Place to Work, eu imagino o quão aqueles dados representam os funcionários fielmente, a ponto de compreendermos que aquelas pessoas ali trabalham para manter uma cultura boa e saudável entre elas, ou trabalham por um compromisso maior e mais forte do que a sustentabilidade do negócio. Não é uma crítica, mas uma reflexão que me fez pensar que ambos os casos são buscas por um propósito, porém com orientações diferentes, motivações diferentes e lucros diferentes. E aqui não quero confundir propósito com objetivo: 


1-Uma empresa que se dedica a fazer mais e melhor o que faz;
ou,
2-Uma empresa que se dedica a fazer melhor, mas com compromisso social coletivo.

Ambos são empresas com valores. Ambos são empresas que buscam serem melhores. Ambos são empresas que querem crescer de forma sustentada e com sustentabilidade (mesmo que em teoria). Qual a diferença que vejo em cada uma?

Fazer com que as pessoas sejam despertadas intimamente. Como imagino que as motivações são tênues entre ambas, como significados entre "esperança" e "fé". Ou como "religiosidade" e "religião". Entender qual o compromisso cada assume não desmerece uma que tem mais ou menos propósito. Porque uma pode ser calcada em causa e outra em propósito. O que é perfeitamente normal. Ambas têm impacto social, mas com diferentes alcances e objetivos. Porém, desmistifica a idéia de que todo propósito precisa ser social. A empresa do primeiro item pensa o impacto social como consequência, a do segundo pensa o impacto social como principal condutor. De uma certa maneira é uma leve orientação entre e relação e transformação respectivamente.

A curiosidade, o ter e o ser
O ser humano sempre foi um curioso por necessidade ou por hobby. A diferença é que estes dois motivos estão cada vez mais entrelaçados e sem dúvida nenhuma a internet potencializou a possibilidade de escolhermos vivermos o que queremos viver e trabalhar ampliando as possibilidades de se viver plenamente. Como a curiosidade faz despertar uma ramificação em algum momento para buscarmos o poder e a vaidade (ilusão da posse), quanto a realidade do ser (autoconsciência de se sentir-se bem em seu limite).

Então, (quero acreditar que) certamente sua empresa tem um propósito, mas que tipo de interpretação e orientação você tem dele? Ou seja, aqueles que usam mindsets como o design thinking hoje podem ter até duas observações sobre o "uso" dele: 'Mudar como melhoria' e 'mudar para transformar'. Você deixa sobressair a engenharia/tecnologia sobre a arte sempre? Você deixa sempre sobressair o volume sobre o lucro?

Interpretação
Ao meu ver interpretar hoje em dia tem sido uma das mais difíceis tarefas do nosso tempo diante do excesso de opiniões, de certezas públicas e de falta de confiança que temos. Como sobreviver em uma cultura (social ou empresarial) sem confiança? Pela sua auto-capacidade em ser criativo e empreendedor buscando a sua parcimoniosa verdade. Mesmo que ela seja temporária. 


Como um tempo de verdades temporárias em que vivemos, isto me fez lembrar uma frase do Krishnamurti que li dias passados que me arriscaria a adaptá-la:

Quando condenamos ou justificamos, não podemos ver com clareza, e também não podemos fazê-lo quando nossa mente está a tagarelar incessantemente; não observamos então o que é; só olhamos nossas próprias "projeções". Temos, cada um de nós, uma imagem do que pensamos ser ou deveríamos ser, e essa imagem, esse retrato, nos impede inteiramente de vermos a nós mesmos como realmente somos.”

Para
“Algumas vezes quando decidimos inovar, não podemos ver com clareza, e também não podemos fazê-lo quando o mercado está a tagarelar incessantemente; não observamos então o que é; só olhamos nossas próprias "projeções". Temos, cada um de nós, uma imagem do que pensamos ser ou deveríamos fazer, e essa imagem, esse retrato, nos impede inteiramente de vermos o impacto gerado quando realmente somos essa imagem.”
Então quando leio do - Nas Mohamed, que para termos criatividade temos que nos separar um pouco do contexto "There's no wrong in creativity which means there's no boundary to what should inspire you. Sometimes pulling yourself away from the context of your work helps you find inspiration. Sometimes it turns out to be something simple." Na verdade, nos distanciamos para exercitar nossa empatia, tão bem quanto para enxergar padrões.

"Se as marcas têm o poder de mudar as vidas das pessoas" que tipo de mudanças você quer que elas façam? Se "somos aquilo que possuímos. É preciso atenção ao que possuímos." mesmo que sejam apenas interpretações.

terça-feira, outubro 29, 2013

"Sua identidade é perene?"

Saiu minha estréia no portal InfoBranding, especializado em branding.
Faço um convite a reflexão sobre a sua identidade pessoal e profissional.

Espero que gostem!! :)

Sua identidade é perene?


quarta-feira, setembro 18, 2013

Nossas avaliações olham o EU ou a realidade sempre está certa?

As vezes esbarro em leituras paralelas que me fazem refletir no lado profissional. Pelo menos geram reflexões. 

Esbarrei-me no livro "O que você é e o que você quer ser" do psicanalista Adam Phillips. É um livro extremamente bem escrito, denso e que a cada página você precisa parar, olhar para cima e refletir a profundidade do que ele fala, diante de tal raciocínio. Um resumo: ele analisa fatores e aspectos pessoais que influenciam a formação do eu e conviver social. Desde a "frustração", do se sentir pertencente de algo, do "Sair impune", do "Escapar" e da "Satisfação". 

Chegando ao final do segundo aspecto entre tantas reflexões correlacionadas a Shakespeare, Lacan, Freud, entre outros, uma (óbvia) me saltou os olhos: 
"A vida considerada boa é aquela na qual eu compreendo tudo - até certo ponto, o que acontece dentro de mim e nos outros, quem sou eu - ou será aquela na qual eu não preciso compreender, pois a vida analisada seria intolerável?"
Me saltou os olhos pela obviedade que oferece à nós a nossa profunda busca para nos conhecermos mais e do quão descobrir e enxergar nossos erros pode ser tarefa dolorosa e intolerável conscientemente. 

Ainda mais quando vivemos em mercados, departamentos que mal se conversam, mal se conhecem entre si. Ou, quando a empresa contrata um consultor de "Mudança Organizacional" e teoricamente, ele busca compreender os empregados que ali estão para retirar o melhor deles, mas que sua busca apenas acaricia a casca da cultura.

Entender o "não compreender" de que é, a nossa capacidade de querer nos incluir em algo socialmente aceito e sabido, desde precisar entender uma piada, ou saber de uma (última) notícia, de ter aquela sensação de tipo "eu sei do que ele está falando" e esbravejar "eu vi", ou "eu sei do que se trata" e outros (até) olharem para você. O medo de não ser aceito pela tribo do momento é um medo fervoroso de uma solidão momentânea que evitamos passar, cuja suprimos na compra de produtos, alguns deles hedônicos. 

A satisfação de compreender de que quando queremos buscar mudanças, elas costumam começar pela mudança interna, em algumas vezes, da sua atitude perante algo. Fazendo um paralelo ao universo das empresas, é pensar: "O que sua empresa faz hoje (e fez ou deixou de fazer) para chegar a este resultado?", "Por que estamos contratando você mesmo? Mas este realmente é o ponto?"

"Freud nos diz que o conhecimento é o distanciamento; é a forma como medimos as distâncias". Em esta excelente frase, podemos falar de bastante coisa como a medida da arrogância, do ceticismo e da certeza pode nos enganar e criar a distância paradoxal. O quanto mais sabemos de algo e nos aprofundamos, maior temos a possibilidade de enxergar nossas ações de longe para 'voltar' ao ponto de início. O ignorante evita estas medições de conhecimento e ver tudo sempre de perto, como mecanismo de dominação das distâncias. É só analisarmos os efeitos do Pensamento Grupal
Que "acontece quando um grupo toma decisões erradas devido a pressões grupais que levam à a deterioração da eficiência mental, observação da realidade e avaliação moral. (Irving Janis)." ...nada mais é que seguirmos a coletividade se baseando em uma percepção criada mentalmente ou comportalmente e que você percebe como tática para definir suas ações.
Ficamos sempre enfeitiçados pelo saber de nossas situações (e condições das empresas), mas o quanto que ela realmente é verdadeira quando comparados a outras métricas? Quanto que não seguimos nossas intuições?

O que o livro está me ensinando é que podemos obter o conhecimento sobre nós mesmos a partir de nossa busca pessoal, através ou não da evolução de nossas relações interpessoais, como também nossas verdades de mercado pelos números que queremos enxergar porque não toleraríamos nos confrontar com outra verdade.

quarta-feira, março 20, 2013

E então, seremos o que daqui a pouco?

"Um homem pode adquirir qualquer coisa na solidão, menos um caráter." Stendhal
Para qual dilema nós vamos nos deixar influenciar?
 

Busca 
"Somos o resultado do que praticamos.";"Nossa essência é descoberta a partir das nossas experiências vividas." são alguns pensamentos que Jean Paul Sartre, representante do Existencialismo que apregoava que deveríamos viver mais, intensamente para nos descobrirmos mais e descobrirmos quem nós realmente somos. 
Seguindo esta lógica, que me parece interessante em termos contemporâneos (e no universo capitalismo e de marcas) é atual. Talvez quando nascemos não temos a dimensão de quem nós seremos e ao longo da vida, da formação, das experiências, das dores, da superação tenhamos uma dimensão de como podemos ser e até onde podemos ir. E a autoanálise e autocrítica ajuda neste sentido para nos fazer distanciarmos de nós mesmos e entendermos nossas ações e os significados daquelas ações cometidas. 

Penso; hoje no mundo contemporâneo que vivemos em mundos fechados e fingimos o 'social' muitas vezes (digo até para mim mesmo) e acabamos não vivendo completamente nossas vidas, imersos em tecnologias e distrações contemporâneas de consumo e de prazer financeiro. Bom? Bom é, as vezes.

Sim, sou a favor da tecnologia e sou um viciado convicto dela, constato. Talvez não tenha todas as dimensões possíveis, ou não as enxergue completamente para entender e interpretar minha essência. Ela existe e (talvez) anos ainda precisam ser vividos para esclarecer-me, quem eu sou. Parto do princípio que exceto aqueles bem-dotados de uma sorte encontram cedo e descobrem o motivo de viverem neste planeta que perpassam 'ser boa pessoa'. 

Provocação
Fazendo uma parábola curiosa com uma disciplina que ganha mais notoriedade, como o design thinking que apregoa: Learning by doing. (aprenda fazendo). Seria ele a exemplificação tangibilizada do Existencialismo? Se descobrir fazendo? Curiosamente é o mesmo mantra dito no universo startup. Coincidência? Entende que o que você faz a partir da sua essência pode refletir em como o mundo será ao seu redor?

Realidade
Talvez este seja o mal de muitas pessoas que passam a vida em desacordo com sua natureza, mesmo que ela seja picar - já dizia o escorpião, e sofrem e se angustiam diariamente buscando uma realidade ou mundos que não são parte do que eles vivem. 

Filosófica ou não a reflexão que faço é que estamos vivendo numa era de um "presente constante". Não entendemos perfeitamente o presente, temos pistas, mas incertas do futuro, e o passado não está servindo mais de modelo, apenas de critério para nossas escolhas. Então o que nos resta? Olhar para dentro. Olhar nossa relação com o mundo e com as pessoas. 

Nossas vidas são sucessões de experiências e conexões, como Alain de Botton disse em Ensaios de Amor (minha leitura atual): "O que é uma experiência? Algo que quebra uma rotina educada e por um breve período nos permite testemunhar coisas com a sensibilidade aumentada que nos concede a novidade, o perigo, ou a beleza- e é com base nas experiências compartilhadas que a intimidade pode crescer." Falta-nos intimidade com nós mesmos? O mundo nos afastou? Falta intimidade com os outros? Falta-nos entender a intimidade, leia-se ter respeito (e empatia?) com os outros?

Adoramos compartilhar experiências, mas será que elas desenvolvem intimidade ou nos afastam? Vemos isso no Facebook claramente. O que as empresas estão realmente desenvolvendo nos afasta delas, das pessoas por puro consumo? Que comportamentos novos elas produzem a partir de nossas ações (produtos, serviços, comportamentos)?

Uma excelente frase do Tim Berners-Lee diz:
“The question is not about what you can do but what people will be able to do with what you are building.”
Não digo que Stendhal esteja errado, talvez exageradamente convicto de algo. Talvez viver/estar na solidão não destrua nosso caráter, mas viver 'fora da solidão' aperfeiçoaria com certeza nosso caráter. E em um mundo compartilhado e social, que tipo de socialização fará você crescer e que tipo de medida, ou até mesmo "entrega" para o seu vizinho, as pessoas e à sociedade podemos fazer?
Somos realmente Marcas Sociais (mesmo dilema vivido do Social Business) ou apenas estamos utilizando a tecnologia para falsear nosso diálogo com as pessoas? "Como humanos, nós precisamos entender qual o papel da tecnologia que nós queremos que ela desempenha em nossas vidas." Como pode-se concluir do último SXSW 2013, o maior evento de tecnologia de negócios dos EUA. 

Então
Afinal, em que mundo estamos e queremos viver? Em que queremos acreditar? O que queremos acreditar em a ver com o que somos? 


Num bate-papo com a Juliana Proserpio, co-founder da Design Echos (e Escola de Design Thinking) que culminou nesta conclusão:

"Estamos vivendo uma sobreposição de mundos. Ao mesmo tempo que já estamos no mundo da era social (da era onde o propósito importa), nós também estamos vivendo simultaneamente no mundo da era industrial, no mundo do da era do conhecimento, no mundo da era digital e etc... A grande pergunta é: em que mundo eu quero viver? Ou seja, qual lógica de mundo eu vou seguir e por consequência reverberar meus atos?"
Concluindo
Com o que Tim diz de forma excelente, levanto a reflexão: O que estamos fazendo (ou produzindo) hoje ajudará ou atrapalhará o como as pessoas farão as coisas no futuro?
(se quiser mude a última parte para 'consumidores"


imagem: fastcompany.com

segunda-feira, março 18, 2013

O que acho que o branding poderia fazer por nós

Branding should do the same thing in everyday life that
art does when encountered: amaze us, scare us or
delight us, but certainly open us to new worlds within
our daily existence.

sexta-feira, janeiro 04, 2013

O que é ser mais humano?

Li este post sobre 7 coisas que os marketeiros devem parar de fazer hoje e fiquei pensando: Ser mais humano é um caminho para termos melhores resultados, ou é apenas uma maneira de deixar o ambiente de trabalho (falando dentro da empresa) mais convivível?

Ele diz numa parte:  
Stop acting like an automaton. Read your website, your emails, or your latest campaign and ask yourself if the copy is written in the way you would write a personal email to a friend or if it is written by a computer for a machine. Get personal. Be human. Be interesting. Take a risk and tell a personal story or two. I often debate whether the difference between B2B Marketing and B2C Marketing still exists. The real answer is that to be successful in both, you have to simply relate to people and be more human.
E em outra parte:
Stop focusing on tasks and activities. Ask many marketers how they did last year and they will tell you how many campaigns they executed. But is the number of activities completed any real measure of success? We need to startfocusing on results. To be successful in marketing today, we need to contribute to the business using metrics the business uses. That’s why you need to be friends with sales, finance and the technologists. Make sure you have the tools you need and understand the process inside your company well enough to analyze what really works.
Relendo estes dias Confúcio vi uma passagem que ele cita o Decreto do Céu que deve ser uma abordagem pessoal - da visão de você mesmo diante o mundo. Cuja temos que ter para os problemas do mundo e das nossas relações humanas. Olhar-se de forma distante sem canalizar raiva ou ódio para os problemas e dificuldades, sem atribuir culpa ao céu ou aos homens. "Não culpo o céu, nem o homem." é quase um mantra para se abster do que somos atingidos.

Enfatiza ele sua importância em 'entender o outro', entender suas palavras. "O homem não pode...julgar...a menos que entenda suas palavras." (Anacletos, XX). Isso me faz pensar na forma como comunicamos e queremos comunicar. O texto acima, apesar de ser 'marketeiro' de início de ano, ele não levanta a reflexão de como nos comunicamos, como passamos nossas imagens e somos interpretados. Apenas diga 'seja mais humano' e 'seja amigo do pessoal de vendas, finanças e pessoal da tecnologia'. 

Agora, será que o outro quer se sentir mais íntimo de você? Será que a cultura favorece isso? Isto que eu vejo de errado na maioria dos livros de auto-ajuda e de marketing. Esquecem da realidade e se tornam apenas frases soltas.

Reflita sobre isso e pense se a sua empresa favorece que você seja mais humano. 

Imagem: www.gapingvoidart.com/daily

terça-feira, setembro 11, 2012

EPIFANIA SOBRE O PADRÃO E O TEMPO

Uma pequena reflexão que fiz durante a leitura de Sobre Deus e o Sempre. Livro de Nilton Bonder.

"A inexistência de um padrão que nos conforte, nos causa um desespero quando no dia-dia das nossas vidas. Em tudo! Pois já nascemos predestinados a seqüência natural do mundo, do antes, pelo agora e para o futuro. O ato e nascer ja é um atrito a realidade que vivemos e nos confortamos quando estamos na ventre. Onde nos sentimos protegidos, acolhidos. Nascer é romper o tempo do que imaginamos ser para sempre, que é o padrão, o padrão da certeza e do acolhimento e do imutável. O nascer nos entrega a outro padrao ambiental que é o nascer e o se por, do sol. Vivemos e nos agarramos aos padrões para vivermos e termos acalento em nossas decisoes, como se exercitassemos a atemporalidade em nao querermos pensar no tempo do amanha, mas apenas esperar pela certeza do dia seguinte, ja é uma tentativa de não sermos culpados por nossos pensamentos ou atos, mas encontrar o alibi no conforto do tempo.


Contudo o livre-arbítrio é o reflexo de um estresse a ordem natural da seqüência que cultivamos espitirualmente ja no ventre e é ela que convive paralelamente com a seqüência do sempre, do constante e do eterno em nossas vidas.  O que não muda pode ser apenas o simples ato de continuar, ou o simples ato de mudar diariamente, quando podemos adotar a possibilidade de sermos  e termos mais livre-arbítrio. Afinal nós somos artefatos criados por outros seres. Nem nossos genes são nossos.


Por isso a frase: "Quem espera sempre alcança", é uma ode a decisão de não entregar nossa vida à uma dimensão de tempo, muito menos do passado, nem do futuro, nem do presente. Mas sim, entregar a uma certeza invisível convicta que jogamos a esperança de que nós iremos encontrar, absorver e presenciar. Aqui o tempo não age, apenas a esperança. Esta que é atemporal, não precisa do tempo e não é composta de matéria, apenas da dimensão divina e inviolável de nossa convicção.


Portanto, o padrão é um conforto que nos é apresentado quando seres formados, mas que evitamos ela a todo custo, mas a aceitamos ao passar dos anos, como um ciclo natural em nossas vidas e espíritos.


imagem

sexta-feira, junho 22, 2012

Nossa pele é o único controle que temos

Um video interessante da INTENZE Tattoo Ink http://intenzetattooink.com, chama a atenção como um manifesto pela liberdade de SER quem você quiser SER, honrando SUA pele e a SUA vida. Onde hoje a única coisa que temos mais controle é sobre nossa pele, porque nem a nossa mente, nem nossos objetivos, nosso bolso, do nosso corpo (com as dietas), nem nos nossos relacionamentos temos mais controles diante da cultura do consumo, evaporação da sensibilidade. O que nos sobra? Nossa pele. Como forma de nos expressar (teoricamente) livremente, sobre nossos valores e ideologias.





É a Sua Pele (It's Your Skin)
por INTENZE Tattoo Ink

A tatuagem começou com os bravos. Não é para os fracos de mente, corpo ou espírito. Era um rito de passagem, uma reinvindicação de identidade. Nos dias de hoje a cultura popular tem feito tudo o que pode para nos tirar de nossas próprias identidades.

A sociedade hoje faz hora extra para nos derrubar. Começa com a política e o circo que antes chamávamos de "notícias" manipulando tudo para que a publicidade faça você ter medo de quem você é, apenas para que eles possam lucrar com o seu conformismo.

Dez mil propagandas por dia é o bastante para confundir qualquer um. Suspensões, golpes, falência, desemprego, pobreza e analfabetismo em nosso próprio país.

Todo mundo é solitário. A vida de todo mundo é uma jornada épica cheia de batalhas difíceis. Hoje todos estão lutando muito para ser o que quiserem ser em tempos de grandes conflitos.

Todo mundo é um artista. Até mesmo o homem de negócios, que coloca uma gravata todas as manhãs. Ás vezes o único espaço que temos sobre controle são nossa pele e ossos. Nunca antes, na história do mundo, existiram tantas pessoas se sentindo como se tivessem sido deixadas para trás.

Então eu te peço para que dê às suas tatuagens o melhor. Pois, em tempos como estes, marcar nossas peles talvez seja uma das coisas mais corajosas que possamos fazer.
Lute pela boa luta. É a SUA vida. É a SUA pele.
dica do @ericeustaquio

terça-feira, janeiro 10, 2012

Social Media e o autoconhecimento

Sabe, de uns tempos para cá venho observando cada vez mais assuntos (muitas vezes desconsideráveis) que tomam proporções no ambiente digital e assim o nosso tempo diariamente quando entramos em mídias sociais. É corrente de animal morto, é de banda ruim, de sucesso de Michel Teló, de paródias sacanas, de mashups razos etc. Engraçado que me parece que isso tudo converge a uma só opinião: Precisamos de algum assunto, precisamos de algo para o que falar. Se não, criamos, mixamos assuntos e voilá, nos tornamos assunto ou provocamos um. Algumas pessoas são quase aquelas revistas sensacionalistas. (Sim, este post será ácido.)


Deixo claro, que salvo exceções não sou adepto a correntes, nem retransmito elas. Porém, tem algumas que surgiram ultimamente como a da CET, ou da PM na USP que são úteis de um certo modo. Mas ao ver a maioria se torna totalmente um profusão de assuntos desnecessários poluindo nossas timelines e diminuindo nosso tempo.


Minha impressão geral é (e isso se reflete muito no Trending Topics) que nós todos (queremos ou) precisamos de um "Cristo" para jogar pedras. Precisamos de assuntos para povoar nossas idas ao trabalho, quando estamos no metrô, no ônibus, no cabelereiro, nos almoços, nas procrastinações...Parece que a liberdade de compartilhar e de livre-conhecimento e acesso fácil à tudo disvitua a capacidade de fazer conjecturas mais profundas e reflexivas. Vide a Sandy e sua liberdade sexual, o caso da Gretchen sendo garçonete, de Michel Teló e seu sucesso, se Restart é uma banda boa ou não e se seus integrantes são homossexuais ou não, Belo Monte..... Exemplos bem mais sensacionalistas e típicos de pauta de revistas sensacionalistas - vide o video-sacana de Rafinha Bastos.


Bem, esse fenômeno da "maldade instantânea" ou da "irresponsabilidade sem consciência", da liberdade de expressão e a capacidade de produção de conteúdo livre, vem produzindo "pautas" que não sobrevivem no nosso intelecto. Hoje o que é que fica na história? Nossa história virou sucessão de tablóides?  Conteúdo efêmero e desnecessário. Assusta-me isso. Afinal, poucos destes assuntos levantas questões importantes para a sociedade: Lembra-se do video do menino (zangief) gordinho cansado de receber bullying?


Arriscando-me a incorrer a apontar desvios psicológicos das pessoas, ao obervar esses fenômenos diariamente na internet e nas mídias sociais só me vem à cabeça que isso tudo me parece uma raiva reprimida (ou inveja) interna de alguma coisa que precisamos de algo para "chutar", maltratar, falar mal, para nos sentirmos melhor ou sermos aceitos. Situação da economia, família desunida, problemas afetivos, desemprego, depressão? São inúmeras as possíveis causas.


A máxima: "Ninguém chuta cachorro morto", me parece bem atual, mas modificado. Hoje os cachorros mudam. Ou pior, nós criamos os cachorros para chutar. Posso estar profundamente enganado, mas prefiro me arriscar mesmo assim.


Esse início longo do post me levanta a lebre de que nós não nos conhecemos profundamente. Agimos pelo instinto da multidão. Defendemos sem profundidade. Ofendemos sem estudar. Lançamos assuntos sem motivo. Compartilhamos no automático. Falta-nos filtro? Pode ser. (Se tivéssemos um filtro no Facebook como o de anúncios indesejáveis só que para correntes?) Falta-nos personalidade? Pode ser. Opinião todos nós temos na internet. Expressamos livremente, mas será que buscamos estudar antes de opinar ou ficamos sabendo apenas pelas frase-títulos dos rss?


Bem, a ideia do post é apenas nos fazer refletir sobre como estamos vivendo e consumindo mídia. Mídia é tempo. Você é o que você lê (ou procura ler). Então, cuidado para não formar (e transformar) sua personalidade e seu jeito único de ser em alguém amargo, ruim, sem profundidade e que opta apenas em enviar "newsletter-negativas" e reclamar. Você pode ser alguém reprimido. Observe-se essa semana. A tecnologia muda, mas as pessoas e suas frustrações e angústias continuam as mesmas. Não alimente e nem crie os seus cachorros. Livre-se deles e dessasm pessoas. Conheça-se.

sexta-feira, dezembro 09, 2011

Desabafo do que virou cotidiano

Não me assusto mais com pessoas que xingam nordestinos, espancam gays... Deveria? Deveria sim. Nestes caso eu opto por acreditar que este tipo de pessoa será expelida da sociedade ou mereça - por ordem da vida, que ela se retrate e se arrependa e/ou pague pelo mal que provocou. 

Denunciar? É importante, mas a sociedade, quando bem nutrida, como um corpo - neste caso de educação e ética, tende a expulsar o corpo estranho que lhe afeta. Rogo para que (nós sociedade) mudemos nosso mindset ("A mudança começa por você" - Gandhi) para que seja natural ter correntes de bons exemplos e não correntes de mal exemplos, justamente em mídias que foram criadas para promover o conhecimento, não o desastre. 

Apenas uma indignação velada e contida deste momento de transição que vivemos. Cada vez mais (percebem isso?) está sendo separado o joio do trigo e esta é uma tendência que precisa ser calcada na educação, sustentabilidade e na ética e não pelo medo e opressão. Utópico? Pode ser, mas continuarei a pensar assim.

Desculpem-me o para alguns, sentimentalismo mimimi, mas cansei de ver em minha timeline no Facebook "correntes negativas". Por que não vemos tão frequentemente exemplos de "correntes de sustentabilidade", de re-uso de materiais, de pessoas que promovem o bem, de medidas políticas que favorecerão à sociedade, de industrias que se preocupam com o ser humano?

Nós somos e pensamos e provocamos o que compartilhamos. Parafraseando uma frase que li da professora de semiótica da PUC-SP, Lucia Santaella:  "Estou conectado, logo existo." Humildemente mudaria para: "Estou conectado, logo reflito." Refletir sobre o que compartilhamos e sobre quem nós somos é reverter-se para o nosso eu e perceber quem nós somos. Só assim devemos ajudar - com a ajuda da tecnologia, a construir melhores vidas, sociedade, atitudes e evoluções.
Refletir sobre o que compartilhamos e sobre quem nós somos é reverter-se para o nosso eu e perceber quem nós somos. Só assim devemos ajudar - com a ajuda da tecnologia, a construir melhores vidas, sociedade, atitudes e evoluções.

terça-feira, dezembro 06, 2011

O amor e o dogma econômico

Nesta entrevista a Robert Happe filósofo holandês, conta pela sua visão que somos todos um. Que o amor vem sendo colocado de lado em detrimento às necessidades econômicas e novos paradigmas que nos forçam a ser individualistas. O amor, como o pensar no outro vem sendo posto de lado. Vale refletir sobre essas mudanças e perceber nosso dia-dia.

segunda-feira, novembro 28, 2011

A finitude da morte nos alivia

Se somos movidos pela a insatisfação, a morte pode ser o estimulo para o alívio dela. Uma vez tida a certeza da morte a insatisfação e a obsessão por encontrar e realizar projetos que tentamos a vida inteira - e todas a segundas-feiras vão começar a se esvair. A morte pode ser um libertador.

Porém convivemos com a iminência dela no dia-dia criando distrações e "outras vidas" inseridas intertextualmente em cada atividade que temos. Nossa vida pós-moderna (ou liquida) é um livro com serie de links intertextuais que se amplificam, se realçam ou são criados com a maior interação no dia-dia com as  pessoas e a tecnologia. 
Neste aspectos nos ampliamos cada vez mais na busca de satisfazer algo interno que nos insatisfaz: a vontade de sermos mais nós mesmos. 

Sermos nós é difícil e exige esforço e é incessante. Sermos nós é procurar não olhar pra o espelho da morte, ou melhor, olhar ele com outros olhos do que o cotidiano destrutivo dos jornais e televisões, mas com um olhar mais antropológico e centrado em nossa existência e relação com o mundo e não com os meios

A morte nos ajuda a Viver, mas nos mostra a finitide de nossa insatisfação e com a mistura da incapacidade de mudança. Coisa que durante nossa vida testamos em nós mesmos, nossos limites.

Isso me lembra a frase de Steve Jobs: 
Lembrar que eu estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que eu encontrei para me ajudar a fazer grandes escolhas na vida. Por que quase tudo – todas as expectativas externas, todo o orgulho, todo o medo de se envergonhar ou de errar – isto tudo cai diante da face da morte, restando apenas o que realmente é importante. Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira para eu saber evitar em pensar que tenho algo a perder. Você já está nu.Não há razão para não seguir o seu coração.” – discurso durante formatura em Stanford, 2005
O que queremos aqui é mostrar ao mundo novas faces do que queremos ser, porque no fundo temos a vontade da mudança, apesar de resistirmos à ela bravamente. E a mudança é uma condição de (r)evolução constante que se propor é compreender que a morte fica mais próxima, ou pode nos abater a cada instante. O senso de urgência em viver e ser feliz nos consome e nos faz ter atitudes impensáveis e impensada (positivas ou negativas) por nós mesmos e pelos que estão inseridos na sintonia do status quo. Viver - o nosso ideal assusta, mas também provoca a sensação de realização e capacidade de mudança diante do inevitável. A finitude da morte. Ou tudo é uma questão de percepção.

O post foi inspirado no livro de Alain de Botton - Como Proust pode mudar sua vida
(O post trabalha diante da percepção da morte pela ótica do cristianismo. Não sendo totalmente o reflexo da minha percepção, apenas um fragmento dela.)